Abramet alerta para risco de retrocesso da segurança no trânsito em campanhas eleitorais

A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego enxerga com preocupação o tom das campanhas eleitorais que disseminam o conceito de “indústria da multa”, ao mesmo tempo em que prometem mudanças nas medidas de redução de velocidade e fiscalização das vias. A Abramet considera retrocesso qualquer aumento das velocidades veiculares e reconhece o conceito de “Indústria da multa” como falta de informação sobre o Código de Trânsito Brasileiro e os compromissos do Brasil com a redução do número epidêmico de acidentes.

Um destes compromissos é o objetivo proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em 50% o número de mortes no trânsito até 2020, o patamar anual está em 1.25 milhões de mortes relacionadas ao trânsito (Dados da OMS, Organização Mundial de Saúde). A Abramet considera que para a meta ser alcançada, é necessária a mudança radical na cultura da mobilidade, não só do motorista, pedestres e ciclistas, mas também dos governantes e da iniciativa privada de nosso país. É preciso colocar em prática a execução do Código de Trânsito Brasileiro que data de 1997, quando determina a “Educação de Trânsito” nas escolas.

Educação continuada (Abramet), formação de condutores, campanhas permanentes, policiamento ostensivo, participação da sociedade, fiscalização e punição precisam ser revigorados.

Apesar das multas os fatores velocidade excessiva, álcool, drogas, fadiga, sono e desatenções continuam sendo causadores de acidentes.

Necessitamos de uma imunização de curto prazo em que a fiscalização deve ser forte e a punição para infratores severa. Em longo prazo, atuando na mudança da cultura, com educação de trânsito, a necessidade real de utilização de equipamentos de segurança e outros conhecimentos que amadurecerão nossos jovens e aos 18 anos de idade teremos novos cidadãos, conscientes, responsáveis, conhecedores dos limites da máquina sobre rodas, do respeito mútuo e à própria vida.

No cenário brasileiro, São Paulo observou amadurecimento nas regras de trânsito e maior assertividade na fiscalização. Dados anuais comparados mostram redução no número de acidentes e vítimas (CETSP – Parcial 2016), especialmente entre os usuários mais frágeis: os pedestres. Isto é possível através de ações que extrapolam o limite de administrações e partidos, ações como obrigatoriedade do uso do cinto de segurança no banco dianteiro e traseiro, do uso de cadeirinhas, das medidas inclusas na Lei Seca, as reduções de velocidades permitidas nas vias e maior fiscalização do trânsito para identificar infratores, ações recomendadas pela Abramet, profissionais de Saúde e Medicina de Tráfego, e por entidades internacionais como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas (ONU).

Tais resultados significam vidas salvas, menor número de sequelas e menor gasto público com vítimas de trânsito, é o entendimento da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego que os candidatos devem buscar apelo eleitoral sem colocar em risco os avanços atingidos na mudança da cultura do trânsito e no aumento da segurança no trânsito.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior

Semana Nacional do Trânsito

Ainda muito distante do ideal, consagrando uma epidemia, o trânsito e transporte preocupa todos nós. 

ABRAMET propõe imunização para o mal que assola o país.

Precisamos acelerar essa trajetória para alcançarmos o objetivo proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em 50% o número de mortes no nosso trânsito até 2020. Para tal, precisamos mudança radical da cultura para mobilidade, não só do motorista, mas também do nosso pedestre, dos governantes e toda cúpula dirigente do nosso país. Faz-se necessário a execução do Código de Trânsito Brasileiro que data de 1997, quando determina a “Educação de Trânsito” nas escolas. Até hoje, vários itens desse código não foram colocados em pratica.

Educação continuada, formação de condutores, campanhas permanentes, policiamento ostensivo, participação ativa da sociedade, a fiscalização e a punição parecem abandonadas.

Apesar das multas, infratores reclamam, mas não mudam comportamento.

Velocidade, bebida, drogas, fadiga, sono e desatenções continuam fazendo parte do ranking causador de nossos tristes acidentes

Como afirmamos, necessitamos de uma imunização em curto prazo em que a fiscalização e punição precisam ser severas. Em longo prazo, atuando na mudança da cultura já na pré-escola, aos cinco anos de idade, com educação de trânsito onde serão ensinados os perigos da máquina sobre rodas. Para que serve, como fazer bom uso, sinalização de trânsito, evoluindo com leis, resoluções, chegando ao curso secundário onde dentro da física, química, biologia seriam passados conhecimentos das ações de forças exercidas sobre o veículo, de doenças causadas pelo trânsito e mesmo pelo transporte de produtos perigosos.  Por que derrapam, por que capotam, efeitos do ruído, da vibração, consequências dos gases, vapores, poeiras e fuligem sobre o homem e meio ambiente. A necessidade real de utilização de equipamentos de segurança e tantas outras coisas que amadureceriam nosso jovem e ao fim de 13 anos teríamos novos cidadãos, conscientes, responsáveis, conhecendo os limites da máquina sobre rodas, o respeito mútuo e a própria vida.

Aos 18 anos, como cidadãos diferenciados, fariam um Curso de Formação de Condutores (CFC) com treinamento em simuladores onde todas as adversidades seriam ensaiadas, saindo dali para uma pista própria para colocar em prática todo o aprendizado. De dia, de noite, na área urbana,  pista molhada, desviar de obstáculo a 80 km/h, frear com freios comum e ABS, no sol, na chuva, neblina e por aí em diante.

Estamos convictos de que dessa forma atingiremos o objetivo reduzindo de maneira substancial a epidemia que hoje faz parte do nosso dia a dia. Certamente estaríamos imunizando nossa população e erradicando um mal sistemático em nossas cidades.

 

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional

ABRAMET
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
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Até que idade posso dirigir um veículo?

O Código Brasileiro de Trânsito não define idade limítrofe para a interrupção da atividade. Saber o momento de parar é essencial.

O Código Brasileiro de Trânsito prevê o início da concessão para a direção de veículos a partir dos 18 anos, mas nada define para a aposentadoria dessa concessão.

Sabemos que à medida que passam os anos limitações vão aparecendo. Em média, a partir dos 60 anos começamos ter um declínio na execução de nossas atividades. Em alguns, esse declínio é lento e progressivo, em outros, temos acentuação muitas vezes brusca devida ao aparecimento de alguma doença.

A direção veicular não é um procedimento tão simples, fácil como se imagina. É na realidade bastante complexa. Inicialmente podemos afirmar que depende de três funções básicas:

1 – a cognitiva que envolve raciocínio, entendimento, memória, comunicação, atenção, concentração, vigília e respostas imediatas;

2 – a motora responsável pela liberdade de movimentos, rapidez, força, agilidade, coordenação;

3 – a sensório perceptiva é onde se relaciona sensibilidade tátil, visão, audição e percepção.

Além de tudo isso, sabemos que existe uma grande repercussão dos fatores de risco presentes na direção veicular, no meio ambiente e no estresse causado que atuam diretamente sobre o organismo causando distúrbios agudos e processos degenerativos. A complexidade da atividade leva-nos a entender que estão presentes as repercussões do organismo sobre a direção e da direção sobre o organismo. É na realidade um somatório de agressões de um e de outro lado.

Quando se é portador de doenças primárias como hipertensão arterial, diabetes, doenças ósteoarticulares, distúrbio mental e emocional, doenças metabólicas e outras, certamente terão agudização desses processos, comprometendo as funções essenciais para a atividade.

Cada organismo é um organismo diferenciado. Nem todos apresentam os mesmos problemas de saúde, daí não termos no código de trânsito uma data definida para a interrupção da concessão. A única referência aos idosos (acima de 65 anos) é que seja feita avaliação médica a cada três anos, com o que não concordamos. Os processos degenerativos e a alternância de sinais e sintomas e mesmo do aparecimento súbito de doença é comum, o que nos leva a indicar exames periódicos a cada ano.

Temos observado que o próprio motorista muitas vezes ao perceber suas limitações passa a ter medo de assumir a direção acabando por abandoná-la. Outras vezes vemos alguns com limitações, mas insistindo em manter-se em atividade. A família tem importância capital quando detecta alguma das alterações aqui descritas ou quando do surgimento de doença aguda ou crônica, impedindo o idoso de assumir a direção veicular.

Todos sabem que a direção veicular é uma necessidade para o idoso, tornando-o integrado à família, à sociedade e conectado com o mundo.

Estimular, deixá-lo motivado para a vida, soerguer o moral, incentivá-lo é uma necessidade real. As limitações levam a depressão que por sua vez acelera o processo degenerativo e gera desarmonia interna. Aí é o caos.

Torna-se de extrema importância lembrar que normalmente nessa faixa etária faz-se uso de algum medicamento, às vezes múltiplos e que podem ter repercussão quando na direção. O médico da família saberá orientar quando riscos houver, não só o idoso, a família e o médico que habilita e renova a Carteira Nacional de Habilitação.

 

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego
Ocupacional da ABRAMET
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
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FEBRE AMARELA: Nova recomendação

Por Odir Freire

O Ministério da Saúde emite a Portaria Nº1553 em 19 de agosto 2016, publicando o novo calendário vacinal baseado nos estudos dos últimos anos e recomendações realizadas pela Organização Mundial da Saúde a respeito da vacina contra Febre Amarela. O ponto principal é a validade da vacina, em que se baseia na suficiência imunogênica não sendo necessária a revacinação a cada 10 anos.

Em 2013 a OMS publicou no seu site um posicionamento sobre a vacina contra febre amarela que entraria em vigor no mês de julho 2016. Com base nas informações da OMS, o calendário vacinal brasileiro foi modificado nos dois últimos anos para atender aos moldes atuais da vacina.

No Parecer Nº5 de 2015, fundamentam as informações da vacina contida na Nota Informativa Nº 143, que reforça as condições gerais sobre a vacina que são:

– Fator imunogênico da vacina, suficiente a partir do 9º mês de vida para residentes ou viajantes de áreas endêmicas, a partir 6º mês em caso de surto da doença.

            – Recomenda a manutenção de altos índices de cobertura vacinal em áreas com foco da doença

            – A revacinação a cada 10 anos foi mantida por décadas sem embasamento teórico ou científico.

A medida técnica do órgão brasileiro segue uma tendência mundial onde países seguem orientações da OMS, convertem seus calendários para as novas recomendações, especialmente aqueles que possuem risco em potencial.

Aos viajantes ainda será cobrado o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia, como prova de que o mesmo encontra-se imunizado. A partir de 11 de junho de 2016 a ANVISA está emitindo um novo CIVP com validade indeterminada, portanto o integrante deve comparecer a um dos centros para renovação do Certificado.

As novas recomendações trazem benefícios a todos que precisam da imunização contra febre amarela. Nos dias atuais onde o procedimento invasivo tem sido reduzido ou substituído, um descompromisso a cada dez anos diminui o número de procedimento para permanecer imune e diminui custos ao sistema vacinal.

 

* Lista dos centros de orientação:  http://www.anvisa.gov.br/hotsite/viajante/centros.pdf

* Telefone da Coordenação Geral do Programa de Nacional de Imunizações (61) 3213-8297

Super Programa de ZERO Acidentes no Brasil

Por Odir Freire

vision zero

A Suécia sempre foi um pais referência em qualidade de produtos e bem estar social, vez ou outra sempre ouvimos alguém dizer que gostaria de morar naquele país. Eles detêm um departamento de segurança de trânsito com a grande pretensão de eliminar vítimas em acidentes envolvendo veículos automotores. Um grande desafio mesmo para um país que possui excelência em produção de bens de consumo e prestação de serviços.

O Vision Zero é um programa de origem sueca com iniciativa governamental e da indústria com objetivo de disseminar a segurança no trânsito através de educação e planejamento, fazendo a mobilidade se tornar menos violenta. Desde 1994, este projeto tem diminuído os índices de mortalidade no trânsito da Suécia. Outros países que queiram mudar as estatísticas podem entrar em contato com o projeto pelo site http://www.visionzeroinitiative.com/

A empresa sueca Volvo de caminhões e automóveis tomou a iniciativa desde 1987 e tem trabalhado no Brasil, evitando acidentes com os modelos de sua marca. Desde que foi inaugurada a empresa sempre esteve preocupada com a segurança de usuários de seus veículos, o próprio cinto de três pontas é prova disto. Atualmente mantém o Programa Volvo de Segurança no Trânsito, com atualizações frequentes sobre as estatísticas nas estradas brasileiras, o conteúdo pode ser acessado no http://pvst.com.br/

Ao especialista Médico de Tráfego cabe a responsabilidade de orientar e julgar precedentes dos candidatos à habilitação, o diálogo que conduz a entrevista é simplesmente importante para entender e julgar aptidão do candidato quanto o exame físico. Obvio que a experiência ainda é fundamental na orientação correta do candidato, mas não devemos deixar de dar importância à preparação cientifica e aos eventos como aprendizados constantes. Estes últimos com intuito de valorizar ainda mais a especialidade.

Nesta função o médico estaria à frente de um super programa contra os acidentes nas estradas brasileiras, pois aprovando corretamente os condutores, trabalha de forma preventiva nos acidentes de trânsito, de forma que diminuiremos as taxas de mortalidade, ligado ao movimento de veículos e pedestres, ainda considerado alto pelo órgão internacional de Medicina de Tráfego.

Dupla função Motorista/Cobrador

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Combatemos a desatenção na direção veicular. Não só as desatenções produzidas pela tecnologia introduzida nos veículos que são responsáveis por acidentes. Torna-se impossível imaginarmos o motorista de um coletivo tendo sua atenção voltada para cobrar passagem. Receber dinheiro, notas ou moedas, contá-las, dar troco, preocupado para não errar, observar a subida e descida de passageiros são coisas incompatíveis que levam o homem a tensão, estresse e acidente. Buscamos melhorar a qualidade de vida no trabalho do motorista que desenvolve atividade no transporte coletivo, onde múltiplos fatores de risco agridem seu organismo e ainda ocorrem reações orgânicas repercutindo sobre o trabalho desenvolvido. Não podemos entender e tão pouco aceitar que esse mesmo motorista possa desenvolver dupla função (motorista/cobrador).

A vigília, atenção, concentração, raciocínio, percepção, respostas motoras rápidas, sensibilidade tátil, visão e audição são elementos essenciais para aquele que transita na direção veicular. Despertar atenção desse elemento com uso de celular, com movimentos bruscos ao volante, fazer tocar um CD, fletir o corpo para mexer em algo no painel são riscos que levam ao acidente.

Recentemente, fui surpreendido por uma atividade incompatível com a direção veicular. Ao adentrar o ônibus em plena Copacabana no Rio de Janeiro pela porta da frente, fui interceptado pelo motorista que me cobrava à passagem. Rapidamente passou-me o troco, atravessei a catraca e sentei passando a observar detalhes daquele trabalho. Era um para e anda, o recebe e dá troco e a ansiedade para movimentar o coletivo porque outros se encontravam em sua traseira. Mas não é só na área urbana, acontece nas rodovias.

Não posso entender, enquanto todos os órgãos responsáveis pela segurança no trânsito e pelo desenvolvimento desse trabalho na direção veicular preocupam-se com a atenção, concentração, redução do estresse, melhor qualidade de vida no trabalho, outros, sem identificar a sobrecarga e a penosidade do trabalho, o submetem a situação de alto risco.

Imagine que estamos aumentando em muito a responsabilidade com a manipulação de dinheiro, troco, desviando atenção e concentração do indivíduo. Temos convicção de que estamos expondo a vida desse homem, dos usuários e pedestres a riscos iminentes.
O evoluir do trabalho intranquilo, preocupado, sujeito a assaltos, agressões, acidentes, danos a terceiros, são contrários à qualidade de vida nessa atividade. O anda e para do trânsito, intervalos curtos entre as paradas de ônibus, o risco físico, químico, ergonômico, biológico que repercutem sobre esse organismo, tudo concorre para um trabalho de sacrifício, de intolerância, de estresse e fadiga intensa. Não podemos esquecer que além de tudo isso as jornadas de trabalho são longas, ultrapassando o que determina a legislação.

A economia do empresário reduzindo o número de funcionários joga no pobre motorista uma carga de trabalho, responsabilidade e susceptibilidade para desenvolver sinais, sintomas e doenças. Em curto espaço de tempo os mais resistentes estarão buscando os ambulatórios médicos com queixas as mais variadas. Certamente serão detectados distúrbios físicos, psicológicos, sociais e em consequência a necessidade de tratamento específico, bem como a necessidade de afastamento do trabalho. Aumenta o absenteísmo, surgem doenças ocupacionais.

As entidades responsáveis pela orientação, fiscalização e até punição das empresas responsáveis pelo transporte coletivo, precisam entender que o trabalho de motorista é um trabalho penoso, sofrido, caracterizado pelos riscos que a função é submetida como a exposição ao ruído, vibração, variações térmicas, gases, vapores, fuligem, agentes microbianos, postura, trabalho repetitivo, estresse e tudo mais que envolve a relação com o público onde cada um reage de maneira pessoal.

Entender isso é entender que precisamos melhorar a qualidade de vida no trabalho de uma classe sacrificada. Desviar a atenção, concentração para outra atividade de responsabilidade, que aumenta a tensão, estresse, desgaste físico, concorre para o atropelamento de um pedestre, colisão e outros. Há necessidade de ações junto aos órgãos governamentais, empresas, impedindo que essa absurda dupla atividade seja mantida. Além do sacrifício e sobrecarga a que é submetido o profissional do volante, tudo concorre para risco maior com prejuízo para o estado, empresário, motorista e sociedade como um todo.

Estamos em plena década de segurança viária, precisamos agir sobre todos os fatores que direta ou indiretamente venham aumentar nossas estatísticas de mortes e sequelados no nosso trânsito.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da
ABRAMET
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
www.abramet.org.br
dirceurodrigues@abramet.org.br
dirceu.rodrigues5@terra.com.br

Brasileiro comanda órgão internacional de Medicina do Tráfego ligado a OMS

Por Dr. Odir Freire

A Associação Internacional de Medicina do Tráfego – ITMA, entidade médica ligada à OMS, promove o intercâmbio de conhecimentos entre especialistas de todo o mundo, dividindo as recentes novidades em medicina de tráfego, teoria e técnica na prevenção de acidentes de trânsito, segurança viária, primeiros socorros e tratamento médico objetivando redução da morbidade e a mortalidade resultante de traumas em acidentes de trânsito no mundo.

logoDr. Jack Szymanski, brasileiro que assumirá a responsabilidade geral da ITMA,  após o mandato do atual Presidente, Prof. Dr. Zheng-guo Wang, da China, que estará na presidência pelos próximos quatro anos. Está presente nas atividades da instituição nos últimos 15 anos. É membro da ABRAMET e Perito da Junta Médica Especial do DETRAN do Paraná. Entusiasta da prevenção, como forma de diminuir indicativos de morbimortalidade, iniciou suas atividades na Medicina do Tráfego após realizar um estudo sobre afastamento do trabalho por doenças e constatou a grande quantidade de acidentes envolvendo motociclistas.      

A redução dos danos resultantes de acidente vem diminuindo a nível mundial, porém a estatística quantitativa preserva seus elevados índices em países com menor renda per capita. O foco de ação ainda está nestes países. Segundo o futuro presidente do ITMA, atualmente a crise econômica tem ajudado nesta redução, pois diminui a circulação de veículos. Menciona ainda que a solução para estatísticas mais favoráveis estão na melhoria de transporte público, rigidez nas regras do trânsito e não muito distante de todos, respeito mútuo e a educação no trânsito.

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O malefício dos acidentes de trânsito é inaceitavelmente elevado, sobretudo para pessoas pobres em países pobres, afirma Szymanski. África detém o trânsito mais violento e isso não se deve a uma frota maior. As 22,2 mortes por grupo de cem mil habitantes no Brasil é um valor considerado alto para OMS. A Suécia conta com um histórico de segurança no trânsito e desde 1997 possui um programa, o Vision Zero, pautado em ética, segurança, responsabilidade e mecanismo de mudança. Atualmente o presidente do ITMA realiza um trabalho com objetivo de melhorar a segurança no trânsito com expansão dos transportes públicos, que será apresentado no Congresso internacional em Beijing.

Melhor pedagogia para formação e educação continuada de condutores de veículos.

93% dos acidentes são causados pelo motorista. Algo de incorreto está acontecendo e providência drástica deveria estar sendo tomada. A inércia das autoridades não implanta mudança radical na formação dos condutores. Com ensinamento básico, poucas horas, sem o pleno conhecimento do homem, da máquina, do meio ambiente, dos riscos e adversidades, de atos e condições inseguras concede-se a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), tudo vindo a constituir o principal fator desencadeante da grande sinistralidade no nosso país.

Sabendo dos riscos que uma máquina sobre rodas pode causar, e as estatísticas de sinistralidade comprovando isso, não podemos entender como o estado faz a concessão de uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) da maneira que o faz. O candidato sabe apenas conduzir o veículo no trânsito a 30 ou 40 Km/h, subir um aclive e não deixar o veículo retroceder e fazer uma baliza (estacionar). Na realidade aprendeu apenas a fazer o veículo andar. As coisas mais simples são passadas. Esse é o mínimo fornecido nas aulas práticas como ensinamento na formação daquele que ao receber a CNH comemora como se tivesse conquistado um diploma universitário.
Falando em curso de qualquer formação, guando o concluímos somos levados a um estágio com monitores, instrutores ou coisa parecida como uma complementação e o desenvolvimento de habilidades.

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Dirigir é coisa muito séria.

No Curso de Formação de Condutores, após término, vamos para o estágio sem monitor ou instrutor, colocamos em prática o pouco que aprendemos em vinte dias (20 h). Quase sempre com manias, vícios que adotaremos para o resto da vida já que nem educação continuada (reciclagem) está programada como manutenção da qualidade da atividade desenvolvida na direção veicular. As leis, resoluções, sinalizações surgem a todo o momento e não é dado conhecimento obrigatório ao motorista. Não se conhece os fatores de risco envolvendo o homem, a máquina e o meio ambiente. Acelera-se, freia-se, buzina-se sem o pleno conhecimento da repercussão sobre a saúde. Muda-se de veículo, de direção mecânica para hidráulica, de câmbio comum para o semiautomático ou automático, do freio mecânico para o ABS com informações rápidas fornecidas por um “vendedor”. Vamos para as ruas, sem nenhuma experiência conhecer a real manipulação dos novos acessórios.

O condutor passa a ser um autodidata.

Nenhum piloto de aeronave muda o tipo da máquina que está voando para outra sem passar horas no simulador da nova aeronave. É só assim, fornecendo pleno conhecimento da máquina é que vamos formar de maneira consciente e responsável o piloto, o motorista e o motociclista.
Aliás, vale lembrar que o motociclista chega a possuir a carta com treinamento prático em ambiente confinado, sem nenhum conhecimento prático no trânsito. Examinado também em ambiente confinado recebe a CNH e vai praticar o aprendizado individualmente no trânsito louco dos grandes centros.
            Parece haver um total abandono a preservação da vida.
            A máquina é extremamente perigosa, transita entre outras máquinas e pedestres.
            Vidas estão no caminho.
O tempo é curto, somente ensinamento básico é fornecido para o aluno transitar. Nada é ensinado com relação aos riscos, adversidades, perigos que serão enfrentados em determinadas situações, de dia, à noite, na cidade e na rodovia. Atividade na chuva, piso escorregadio, neblina, névoa, saber se conduzir diante do ofuscamento, frear o veículo com freio comum e ABS, desviar de obstáculos em situação de emergência e muitos outros. A educação preventiva, defensiva, evasiva aplicada na prática, hoje, não é considerada importante. Ter conhecimentos mínimos de física para entender o ponto de equilíbrio de forças atuantes que levam o veículo à capotagem, a derrapagem e outras situações. Como tangenciar uma curva. A cinemática do trauma, isto é, quando essas forças atuantes sobre o veículo são capazes de causar lesões ao pedestre, ao passageiro e ao próprio motorista. Tudo compõe uma quantidade e qualidade de ensinamentos necessários a real formação de um condutor.
Hoje, é fornecida a CNH e o motorista recém-formado, acreditando ser portador de todos os conhecimentos necessários, parte para o aprendizado dos riscos e adversidades isoladamente e caminha celeremente para o acidente.

2Simulador

Estou convicto de que é hora das autoridades atuarem de maneira veemente na formação de nossos motoristas. Ampliar horas de treinamento, fazer uso obrigatório de simuladores onde todos os atos e condições inseguras, adversidades, riscos, emergências seriam treinados (20h), para daí, conhecendo os riscos, partir para a atividade prática de rua na área urbana, na rodovia, de dia, à noite, no piso molhado, com visibilidade prejudicada, na chuva e por aí a fora.
O investimento para ampliação de conhecimentos será o principal elemento na boa formação de nossos motoristas, bem como o maior redutor da sinistralidade. Teremos, sem dúvida, uma redução acentuada da triste estatística de óbitos, vítimas com sequelas temporárias e definitivas no nosso trânsito.
Com a limitação do conteúdo programático dado pela legislação, o artigo 153 do Código de Trânsito Brasileiro ainda impõe punição para os instrutores e examinadores conforme regulamentação estabelecida pelo CONTRAN.
Só existe boa formação quando há investimento e o desenvolvimento tecnológico, hoje, permite irmos muito além de tudo que vemos na formação de nossos condutores.
Só com excelente formação chegaremos ao acidente zero.

É A ABRAMET TRANSITANDO EM DIREÇÃO À VIDA.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e Chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional
ABRAMET.
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
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Fragilizados no trânsito

Parece haver desinteresse em proteger os mais frágeis no trânsito. Não se vê atitudes continuadas das autoridades para preservar a vida impedindo o aparecimento de problemas econômico social que vão recair sobre as famílias e o próprio governo.

A8Q9I6615  SÃO PAULO - 08/08/2011 - CIDADES - GERAL JT - FAIXA PEDESTRE - Prefeitura inicia hoje fiscalização nos cruzamentos aplicando multa em motoristas que coloquem em risco a vida de pedestres  - Cruzamento da Rua Senador Queiroz com Rua 25 de Março - Pedestres avançam no sinal vermelho - Foto: NILTON FUKUDA/AE

São mutilados e outros lesionados que chegam aos prontos socorros muitos sem possibilidade de recuperação que evoluem para óbito. Outros com incapacidades temporária ou definitiva passando a cadeirantes ou dependentes de cuidados de enfermagem permanente.
É sofrimento para todos nós. Sair de uma UTI como profissional de saúde para informar a família à evolução desfavorável de um acidentado de trânsito e mais tarde informar sobre o óbito, é triste, muito triste para aqueles que pretendem preservar vidas. Pior, não havia uma doença em evolução, era um indivíduo que subitamente foi transformado na via pública num doente. E para isso, não é tomada nenhuma medida cautelar. São manchetes da mídia todos os dias. Ninguém tenta transformar o pedestre em um usuário da mobilidade segura.
A proteção maior, de longa data, parece direcionada para os veículos médios e pesados. Após isso, faixas exclusivas foram intensificadas para proteção dos motociclistas, mas já foram interrompidas passando a ser prioridade construção de ciclo faixas para proteção dos ciclistas.
E os pedestres, quando terão a atenção permanente dos municípios para uma mobilidade segura?

 

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Este gráfico mostra óbitos de pedestres ocorridos na cidade de São Paulo no período de 2005 a 2014.

Em nove anos houve uma queda de 7,4%, o que significa 0,8% ao ano. Valores muito a baixo do que pretendemos na atualidade.
Calçadas esburacadas, postes de iluminação e sinalização no caminho, árvores, degraus, obstáculos os mais variados impedem um transitar seguro para o nosso pedestre e nosso deficiente físico. Mas não é só isso, guia ou meio-fio com pequena altura permitindo com facilidade a subida de um veículo à calçada. Faz-se lei para garantir um estacionamento privativo para os deficientes, mas não se obriga ou fiscaliza um transitar seguro para um cadeirante.
Locais de concentração de pessoas, como nos grandes cruzamentos, pontos de ônibus, curvas perigosas, locais de risco não podem deixar tão expostos àqueles mais frágeis. O perigo de queda pelas irregularidades, o estreitamento da calçada ou ausência da mesma, a necessidade de caminhar pela rua para desviar dos obstáculos mostram o desinteresse dos governantes em querer proteger a vida daqueles que deambulam pelas vias.
Campanhas são iniciadas e logo findam. Leis são aprovadas, mas não são cumpridas e tão pouco fiscalizadas. O foco da proteção é direcionado para aqueles que estão sobre rodas. Os sem rodas estão suscetíveis às múltiplas agressões de tudo que citamos e ainda submetidos a intenso ruído e caminhar respirando gases vapores, poeiras e fuligens.
Interessante é que o motorista, motociclista, ciclista quando estacionam seus veículos e descem passam a condição de pedestre. Quando estão na direção reclamam e rejeitam o pedestre e quando são pedestres reprovam as atitudes dos que estão sobre rodas. Os focos são divergentes, não há consciência de que todos são frágeis e precisam ser respeitados e protegidos.
Será que não estamos tendo a visão global para proteger todos, começando pelos mais frágeis?
Precisamos de atitudes para preservar vidas instalando gradis com elevação das guias nos cruzamentos perigosos, onde há concentração de pessoas como nas paradas de ônibus, correção dos pisos, alargamento das calçadas, mais passarelas ou túneis, desobstruir trajetos e tudo mais.
Temos observado a crescente chegada aos prontos socorros desses pedestres com lesões graves, gravíssimas quando transitam nas calçadas e nas esquinas dos grandes centros.
A desobediência e a falta de conhecimento das regras de trânsito são outros motivos para reprovarmos atitudes governamentais que não são tomadas com relação à ausência de educação de trânsito, fiscalização, reformas de calçadas e criação de alternativas para conter as agressões que se vê na via pública.
É a ABRAMET querendo proteger vidas.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves
Diretor de Comunicação e Chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da
ABRAMET
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
dirceu.rodrigues5@terra.com.br
dirceurodrigues@abramet.org.br

Veículo e Motorista – O Antigo e o Moderno

Estimamos que 95% dos motoristas não leem o manual do veículo. Quando muito, dão uma espiadela básica, sem profundidade. Será que não é uma necessidade básica quando se adquire um veículo, conhecê-lo com profundidade, ter prévio treinamento? A lei exige treinamento para um operador de máquina fixa e não se porta da mesma forma para a móvel que transita entre outras máquinas, conduz passageiro, se desloca entre pedestres, onde há grande probabilidade de dano físico e material. Precisamos manter a melhora tecnológica que estamos a assistir por parte das montadoras, mas precisamos também de melhora no desempenho de nossos condutores e pedestres para termos um transitar seguro.

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Ao comprar um veículo saio da concessionária desconhecendo tudo, sem orientação objetiva. O que se ouve são vantagens e benefícios que aquele veículo pode proporcionar. Ao deixar a loja mexo estritamente naquilo que conheço do veículo anterior. Esse veículo era um fusca e o que estou adquirindo é um de quatro portas, direção hidráulica, freios ABS, porte maior, sensores com vídeo, computador de bordo, muitos acessórios e tecnologia. É um carro de luxo.
Tudo é desconhecido, iluminação, segurança das portas, câmbio automático, como fixar dispositivo de segurança para crianças, dimensão do veículo, acessórios, manutenção, tipo de combustível, posicionamento de banco, uso do freio de estacionamento no pé e vai por aí.
Montadora e concessionária preocupadas com a comercialização, mas não com orientação, treinamento e segurança do seu cliente, permitindo que deixe a concessionária sem saber usar o câmbio automático, frear o veículo, ligar as lanternas, operar o computador de bordo e tudo que compõe o veículo.
A evolução tecnológica trouxe muitos benefícios para o veículo nacional. Hoje eles são mais sofisticados e mudam a cada ano, no entanto, essas modificações não são passadas e treinadas antes do cliente deixar o local da compra.
• Entender o funcionamento do veículo, as forças físicas atuantes, a educação preventiva, defensiva, as situações de risco, as condições meteorológicas e adversidades, a atividade diurna e noturna, a via urbana e estrada são algumas das necessidades básicas para a concessão da Carteira Nacional de Habilitação. Não se pode esquecer que, como toda atividade, é necessária a educação continuada, correção dos vícios adquiridos, atualização com relação à legislação, a sinalização e outros. Situações de risco precisam ser vivenciadas, colocadas na prática tanto no treinamento inicial como na educação continuada.

Veja que até a legislação, desconhecendo as leis da física, permite situações extremamente perigosas e parece não preocupar-se com condições de trabalho, de transporte de usuários e até com a concessão da Carteira Nacional de Habilitação.
Se dentro de uma fábrica, com máquinas fixas, a legislação e as normas regulamentadoras do trabalho determinam que se zele pela segurança do operador, seja fornecido equipamento de segurança, haja treinamento frequente e ainda se agregue à máquina sensores para desligá-la em situação de risco, porque não darmos a mesma atenção ao operador de máquina sobre rodas? Esta é a mais perigosa, transporta e circula entre pessoas.
As montadoras ou concessionárias deveriam atuar com profundidade nessa área contribuindo para melhor segurança.
Espera-se sempre maior treinamento para as situações de risco, em atividade diurna, noturna, com chuva, neblina, e outras condições anormais, na via urbana e na rodovia. Ter pleno conhecimento da utilização do freio comum e ABS e estar conectado permanentemente à direção preventiva e defensiva.
É necessário ampliarmos conhecimentos sobre os riscos inerentes à atividade sobre rodas. O recebimento hoje da Carteira Nacional de Habilitação não significa que estamos habilitados para a atividade veicular. Este documento nos “libera” para o treinamento e aprendizagem individual, independente de acompanhamento e orientação, o que é absurdo. É, infelizmente, nessas circunstâncias que vamos enfrentar as situações de risco, com total desconhecimento. Daí surge à maior parcela das nossas estatísticas de acidentes de trânsito.

Por ter aprendido a fazer o carro andar, recebemos a CNH.

Não tenho dúvida que a necessidade de simuladores com programas específicos para cada tipo de veículo é o mínimo que as concessionárias poderiam oferecer aquele que busca um veículo diferente daquele que tinha.
As montadoras e concessionárias conhecendo o ensinamento ineficiente por parte dos cursos de formação de condutores, colaboram para que o nosso condutor evolua para os acidentes com incapacidades temporárias, definitivas e óbitos. Crescem nossas estatísticas nos levando a lutar pela preservação da vida.
As montadoras e concessionárias não podem entregar um instrumento de alto risco, que vem preocupando a classe médica que recebe pessoas que estavam saudáveis e repentinamente viram doentes graves, muitos já chegando ao óbito, sem uma orientação e conhecimento fundamentado através de aulas, treinamentos e utilização de simuladores para utilização da máquina.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior
Diretor de Comunicação e Chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da ABRAMET
Associação Brasileira de Medicina de Tráfego
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