Cartilha lançada por médicos orienta pais sobre como transportar crianças em segurança em automóveis

Você sabe qual é a forma mais segura para transportar uma criança dentro de um carro? Essa e outras respostas estão em uma cartilha que será lançada nesta segunda-feira (15), em Brasília (DF). O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) juntaram forças para produzir o livreto “Medicina de Tráfego: transporte seguro de crianças em veículos automotores”, que ajuda pais e responsáveis a entenderem exatamente o que fazer na hora de levar os pequenos para passear.

O tema abordado pela publicação está vinculado às recentes discussões envolvendo o Projeto de Lei nº 3.267/2019, enviado pela Presidência da República ao Congresso Nacional, que prevê, em um de seus artigos, o fim das penalidades aos condutores que deixarem de usar as cadeirinhas e outros dispositivos de segurança. No entanto, a proposta suscitou grande polêmica por conta de números que mostram que a falta desses equipamentos tem causados milhares de mortes e internações.

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Cadeirinha – De acordo com números levantados pelo CFM, Abramet e SBP, a exigência do uso de cadeirinhas, conforme previsto no atual Código Nacional de Transito (com aplicação de multa e penalidade aos infratores), reduziu em 33% o número de crianças vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. Em 1998, o SUS registrou 1360 internações de crianças de 0 a 9 anos de idade, 20 anos depois, em 2018, o número de vítimas caiu para 549. O total de mortes nesse segmento também caiu nesse intervalo: de 346 para 279.

Segundo a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva, os dados são alarmantes. “São números oficiais, que saíram das bases do Ministério da Saúde e que permitem verificar os efeitos positivos da Resolução nº 277 do Contran [dispõe da utilização de dispositivos de retenção para o transporte de crianças em veículos]. Trata-se de uma regra fundamental para aumentar a segurança nas vias e rodovias e, sobretudo, para proteger a vida e a saúde das crianças com menos de dez anos de idade”, ressaltou.

Para o 1º vice-presidente do CFM, Mauro Ribeiro, o uso dos equipamentos é essencial para as crianças no trânsito. “Estes equipamentos foram projetados para dar mais segurança aos usuários em casos de colisão ou de desaceleração repentina. Conforme mostram os números, eles têm sido fundamentais para salvar milhares de vidas ao longo destes anos”.

Dados – No Brasil, a cada hora, pelo menos cinco pessoas morrem em acidentes de trânsito. Nos últimos dez anos, são mais de 1,6 milhão feridos, ao custo de quase R$ 3 bilhões para os cofres públicos, conforme mostra outro estudo elaborado pelo CFM. Entre 2009 e 2018, houve um crescimento de 33% na quantidade de internações em todo o País. Em Tocantins, por exemplo, em 2009, foram registradas 60 internações, já em 2018 o número cresceu 2.147%, chegando a 1.348 internações.

Dos mais de 1,6 milhão de feridos registrados nos últimos 10 anos, 8,2% foram vítimas que vão de zero a 14 anos de idade, número que equivale a mais de 135 mil crianças e adolescentes vítimas do trânsito.

“Os dados revelam quão preocupante é a proposta encaminhada ao Congresso Nacional”, alertou Juarez Molinari, presidente da Abramet. Para ele, apenas campanhas educativas e ações de orientação por parte de profissionais não são suficientes para mudar comportamentos de forma efetiva e, assim, reduzir o número de vítimas no trânsito. “É preciso que a essas campanhas se aliem às leis e à fiscalização, para garantir a obrigatoriedade do uso desses equipamentos”, reiterou Molinari, para quem o texto deve ser revisto no Congresso Nacional.

Didática – A cartilha lançada nesta segunda-feira procura fazer um contraponto didático à polêmica iniciada. Ela traz dicas e orientações para garantir a segurança de crianças, incluindo desde orientações sobre o uso adequado das cadeirinhas, os critérios que têm que ser observados pelos responsáveis até os riscos do airbag frontal, dispositivo desenvolvido para a proteção de adultos, mas que, em alguns casos, pode ser perigoso para crianças.

Para elaborar o conteúdo da cartilha, o CFM, Abramet e SBP contaram com a ajuda de reconhecidos especialistas em Medicina de Tráfego, assim como com orientações do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ambas as entidades dispõem de resoluções que orientam sobre a utilização das cadeirinhas e também estabelecem parâmetros para evitar vítimas de acidentes de trânsito.

Além de sensibilizar os pais e responsáveis, as entidades também esperam contar com o apoio dos médicos na divulgação da cartilha junto às famílias. Conforme explicou Antônio Meira Júnior, diretor da Abramet, esses profissionais são fundamentais ao orientar e recomendar sobre a forma apropriada de conduzir uma criança num veículo.

Cartilha orienta pais sobre transporte correto de crianças em veículos

O Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançam na próxima semana uma cartilha para ajudar pais e responsáveis a colocar crianças no carro de maneira correta, sem prejuízos à saúde.

Segundo a cartilha, crianças devem sempre que possível ser transportadas no banco traseiro dos veículos automotores e preferencialmente ocupar a posição central nesse banco. Caso o veículo não tenha cinto de três pontos na posição central do banco traseiro, o dispositivo de retenção infantil deverá ser instalado nas posições do banco de trás onde houver esse cinto. O airbag do passageiro deverá ser desativado quando o veículo transportar crianças no banco da frente.

“Esses equipamentos foram projetados para dar mais segurança aos usuários em casos de colisão ou de desaceleração repentina. Conforme mostram os números, eles têm sido fundamentais para salvar milhares de vidas ao longo destes anos”, diz o primeiro vice-presidente do CFM, Mauro Ribeiro.

A cartilha conta com orientações do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo Antônio Meira Júnior, diretor da Abramet e um dos idealizadores do livreto, os médicos são profissionais fundamentais para recomendar a forma apropriada de conduzir uma criança em um veículo.

A cartilha completa pode ser consultada na internet.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2019-07/cartilha-orienta-pais-sobre-transporte-correto-de-criancas-em-veiculos

Médicos Especialistas em Medicina de Tráfego ensinam a reduzir riscos de acidentes nas estradas

A cada feriado de Corpus Christi, cerca de 1.300 pessoas são vítimas de acidentes de trânsito nas rodovias de todo o País. Segundo os registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF), a falta de atenção e desobediência às normas de trânsito são responsáveis por metade dos acidentes com vítimas. Os números foram consolidados pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), que nesta quarta-feira (19) fez um alerta à população brasileira com 10 recomendações para garantir uma viagem tranquila.

O objetivo da Abramet é chamar a atenção de motoristas e passageiros para os cuidados necessários na estrada e com os veículos, em especial por conta do aumento de fluxo nas pistas por conta do feriado de Corpus Christi e das festas juninas. Nos últimos quatro anos, foram registrados 3.318 acidentes com vítimas somente nos dias próximos ao feriado nacional, os quais deixaram 4.903 feridos e quase 400 mortos.

De acordo com a Abramet, as falhas humanas são a principal causa de acidentes de trânsito. Elas representam cerca de metade das razões, a frente de problemas mecânicos do veículo, condições da pista e clima. A percepção é confirmada pelos registros da PRF, que no feriado do ano passado apontou a falta de atenção à condução e desobediência às normas de trânsito como causa de metade dos 668 acidentes com vítimas registrados.

Para a Abramet, o estado de saúde do motorista; o não uso de equipamentos de segurança, como o cinto ou mecanismos eficazes de contenção de crianças no interior de veículos; o consumo de substâncias entorpecentes (álcool, benzodiazepínicos, opiáceos etc.); a desatenção causada pela utilização do celular; além de fadiga e privação do sono são apontadas como os sintomas que mais interferem no desempenho dos motoristas, permitindo o surgimento de erros na condução dos veículos.

RECOMENDAÇÕES – Para minimizar os riscos, a Abramet orienta os motoristas e passageiros a ficarem atentos aos seguintes pontos:

1) Confira se está tudo em ordem com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e se o veículo oferece condições seguras e confortáveis;

2) Analise a situação pessoal dos que vão embarcar, começando pelo motorista e cada passageiro, escolhendo a melhor posição dentro do veículo para cada um;

3) Verifique se não há objetos soltos no interior do veículo e se tudo está devidamente acomodado, sem excesso de pessoas ou bagagens;

4)     É fundamental que as crianças com até 10 anos de idade estejam acomodadas no banco traseiro do veículo e utilizando equipamentos de segurança apropriados para cada fase do seu desenvolvimento;

5) O motorista e passageiros devem sempre estar usando o cinto tipo três pontos. Inclusive no banco de trás;

6) Se for dirigir, não pegue a estrada com sono. Procure descansar antes da viagem dormindo pelo menos oito horas;

7)  Na estrada, se estiver acompanhado, mantenha diálogo com acompanhantes, fazendo perguntas e solicitando respostas que exijam atenção. Manter-se permanentemente alerta é prioridade absoluta ao dirigir;

8) Evite refeições pesadas. Opte por uma alimentação leve, de fácil digestão, que não cause distúrbios gastrointestinais nem dê sono;

9) Interrompa a viagem periodicamente para descanso e exercícios, sobretudo em grandes deslocamentos. Longos períodos ao volante reduzem a eficiência do motorista e representam risco de acidentes devido à fadiga. O cansaço predispõe o motorista ao acidente;

10) O uso do álcool é absolutamente condenado para quem vai dirigir. É necessário estar em pleno gozo das capacidades físicas e mentais. Mesmo uma dose pode comprometer esse estado de lucidez.

CFM e Abramet discutem importância dos exames de aptidão para a segurança no trânsito

Os diretores da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego vieram ao CFM apresentar informações que possam contribuir para a discussão de medidas que proporcionem mais segurança no trânsito brasileiro

Os trabalhos da Câmara Técnica de Medicina de Tráfego do Conselho Federal de Medicina (CFM) voltaram à pauta da autarquia nesta quinta-feira (13), quando diretores da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) apresentaram ao corpo de conselheiros federais dados e informações alarmantes sobre a segurança no trânsito do País. O tema tem tomado proporções cada vez maiores desde a apresentação, pelo Poder Executivo, de projeto de lei que altera o Código de Trânsito Brasileiro. A expectativa dos convidados fui subsidiar o CFM de informações que possam contribuir para a defesa da vida e da saúde da população.

Segundo os representantes da Abramet, uma das preocupações é a proposta de alteração do tempo de renovação da Carteira Nacional de Trânsito (CNH) e a intenção de que os exames de aptidão física e mental passem a ser realizados na rede pública ou em consultórios particulares, não mais em clínicas credenciadas pelos Departamentos de Trânsito (Detran).

“Ao longo dos anos, padronizamos as condutas na avaliação médica para habilitação de motoristas, a partir de conceitos e bases científicas, além de consensos aprovados internacionalmente. Por meio delas, os médicos da Medicina de Tráfego que realizam esses Exames têm a oportunidade de promover a saúde e a segurança no trânsito”, destacou o presidente da Abramet, Juarez Molinari.

Já o representante da entidade no Distrito Federal, Geraldo Guttemberg, fez questão de pontuar que as críticas da especialidade às mudanças propostas pelo Poder Executivo não têm qualquer viés corporativista. “Defendemos a sociedade como um todo, que precisa ter nas vias públicas motoristas habilitados a partir de uma avaliação física e mental criteriosa, que hoje é conduzida pelos especialistas em medicina de tráfego”.

Na mesma tônica, o 2º vice-presidente da Abramet, Flávio Adura, enfatizou que, apesar de popular, a flexibilização das regras do trânsito trará consequências imensuráveis para o País. “As pessoas tendem a achar que essas trarão algum benefício financeiro. É preciso conscientizar nossa sociedade, no entanto, sobre os perigos que estão embutidos na proposta”.

Segundo ele, os acidentes de trânsito são um problema de saúde pública, contra o qual o Brasil tem conseguido lutar, sobretudo nos últimos anos, com o enrijecimento das normas. “Esse projeto, que vai na contramão da vida, certamente aumentará o número de acidentes e, consequentemente, o saldo de mortes e feridos no trânsito brasileiro”, alertou.

Câmara Técnica – Desde 2017, a Câmara Técnica de Medicina de Tráfego do CFM tem se debruçado sobre as diversas interfaces de atuação da especialidade. Em maio deste ano, o grupo realizou a primeira edição de um Fórum Nacional para discutir as contribuições da medicina para evitar que o Brasil seja um dos campeões mundiais em mortes no trânsito.

Na ocasião, foi divulgado levantamento que mostrou que, no Brasil, a cada 60 minutos, em média, pelo menos cinco pessoas morrem vítimas de acidente de trânsito. Os desastres nas ruas e estradas do País também já deixaram mais de 1,6 milhão de feridos nos últimos dez anos, ao custo direto de quase R$ 3 bilhões para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Segundo a análise do CFM, a cada hora, em média, cerca de 20 pessoas dão entrada em um hospital da rede pública de saúde com ferimento grave decorrente de acidente de transporte terrestre. “Os números mostram que os acidentes de trânsito constituem um grave problema de saúde pública e que provoca sobrecarga nos serviços de assistência, em especial nos prontos-socorros e nas alas de internação dos hospitais”, observou Hermann Tiesenhausen, conselheiro federal por Minas Gerais.

Para ele, é preciso reconhecer o importante aprimoramento da legislação ao longo dos anos e também o aumento na fiscalização, especialmente após a Lei Seca. “Precisamos avançar nas estratégias para tornar o trânsito brasileiro mais seguro, o que inclui a manutenção das normas vigentes”, destacou.

Medicina de tráfego – Reconhecida como especialidade médica desde 2002 (Resolução CFM nº 1.634/02), a Medicina de Tráfego busca estudar as causas e meios de prevenção dos acidentes de trânsito. Nos últimos anos, tem se destacado na colaboração com o Poder Público na construção de normas que protejam a saúde e garantam a mobilidade saudável e sustentável.

“Temos trabalhado ativamente com subsídios técnicos para a elaboração do ordenamento legal e modificação do comportamento do usuário do sistema de circulação viária. Foi a Abramet, por exemplo, que elaborou a diretriz ‘Alcoolemia e direção veicular segura’, uma das bases para a aprovação da chamada Lei Seca”, lembrou Flávio Adura.

O especialista citou ainda as contribuições da especialidade em normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), órgão responsável por estabelecer a Política Nacional de Trânsito. Entre elas, estão a Resolução nº 204/2006, que regulamenta o volume e a frequência dos sons produzidos por equipamentos utilizados em veículos; e Resolução 277/2008, que dispõe sobre o transporte de menores de dez anos e a utilização do dispositivo de retenção para o transporte de crianças em veículos.

 

Fonte: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=28298:2019-06-14-17-26-06&catid=3

Coordenadora da frente pelo trânsito seguro pedirá exames para CNH a cada três anos

Para Yared, é temerário renovar os exames físico e psicológico a cada dez anos

Nem bem chegou ao Congresso, já tem quem queira modificar o projeto de lei sobre a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A coordenadora da frente parlamentar pelo trânsito seguro, Christiane Yared (PL-PR), foi uma das primeiras a demonstrar esse interesse. O texto, que começará a tramitar pela Câmara, dobra o prazo de validade do documento de cinco para dez anos e o limite de pontuação de 20 para 40.

Yared disse ao Congresso em Foco nesta terça-feira (4) não ser contra a extensão de prazos, mas considera que os exames físico e psicológico não podem levar tanto tempo para serem renovados. Por essa razão, tentará incluir no texto a determinação de que eles precisem ser refeitos pelos condutores a cada três anos.

O texto de Bolsonaro prevê que os exames só sejam renovados a cada dez anos. Só a partir dos 65 anos o portador da CNH precisará refazer os testes a cada cinco anos. Para Yared, um motorista pode facilmente perder suas condições físicas ou psicológicas para dirigir no período de uma década.

Yared já defendia a redução de prazos dos exames desde que Bolsoanro começou a falar da intenção de estender a validade da CNH. Eleita pela primeira vez em 2014 com a plataforma de segurança no trânsito, a parlamentar ficou conhecida por ter perdido um filho em uma tragédia automobilística em 2009. O ex-deputado paranaense Luiz Fernando Ribas Carli Filho foi condenado, há um ano, por causar a morte do filho da parlamentar.

A deputada citou sua experiência pessoal para defender os exames da CNH a cada três anos. “O jovem que matou meu filho recebeu a habilitação aos 18, renovou-a aos 23 e matou duas pessoas no trânsito aos 26”, argumentou.

O presidente da frente pelo trânsito seguro, deputado Hugo Leal (PSD-RJ), diz que ainda não há consenso entre os parlamentares do grupo sobre o projeto enviado por Bolsonaro. “Vamos analisar, reunir a frente e ouvir especialistas para medir os impactos positivos e negativos do projeto”, afirmou ao site.

 

Fonte: https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/coordenadora-da-frente-pelo-transito-seguro-pedira-exames-para-cnh-a-cada-tres-anos/

Brasil pode ver explosão do caos no trânsito

No país em que em média 35 mil pessoas morrem por ano no trânsito, Bolsonaro definiu um projeto como essencial em sua gestão: flexibilizar os controles sobre motoristas. Para especialistas, ele vai na contramão.

O governo Jair Bolsonaro entregou à Câmara, na terça-feira (05/06), um projeto de lei que considera essencial: com o argumento da “desburocratização”, ele quer ampliar a validade da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de cinco para dez anos e dobrar de 20 para 40 a pontuação de um motorista para que o direito de dirigir seja suspenso. Em paralelo, Bolsonaro busca reduzir o número de radares de velocidade nas rodovias federais. As medidas causam preocupação pois o Brasil tem hoje um alto número de mortes no trânsito, atualmente na casa das 35 mil por ano.

O projeto de lei está pronto desde abril. A ampliação da validade da CNH foi justificada pelo Planalto diante do aumento da expectativa de vida da população, o que tornaria “sem sentido” impor exames médicos a cada cinco anos. O texto também amplia o número de multas que um motorista pode ter antes de perder a CNH.

A intenção de Bolsonaro é justamente reduzir o número de condutores que têm o direito de dirigir suspenso. “Dois terços das penalidades no Código de Trânsito são graves ou gravíssimas, então acaba sendo muito fácil o cidadão atingir a pontuação”, afirmou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas.

Dois dias antes de apresentar o projeto à Câmara, Bolsonaro voltou a defender uma medida também ligada ao trânsito: a de engavetar a instalação de radares eletrônicos de velocidade nas estradas federais. A medida foi anunciada em abril, mas está suspensa por decisão da justiça federal.

“Não quero mais ‘multagem’ eletrônica no Brasil, nas rodovias federais”, disse Bolsonaro, relatando diálogo com o ministro da Infraestrutura. “Tinha na mesa dele 8 mil processos para radar, com custo ao longo de quatro anos de R$ 1 bilhão, [mas, ao parar a instalação] não gastamos um bilhão e demos um golpe na indústria da multa no Brasil”, afirmou. O governo deve recorrer da decisão que sustou a medida. A juíza responsável pelo caso, por sua vez, recebeu ameaças de morte.

Violência no trânsito é alarmante

As propostas do governo mexem com um grave problema brasileiro. Entre as causas externas de morte, o trânsito é a segunda maior. De acordo com as estatísticas oficiais do Ministério da Saúde, acidentes de trânsito provocaram, do início da década (2011) até 2017, o último ano com dados disponíveis, mais de 285 mil mortes no Brasil.

Entre 2011 e 2014, o país teve uma média de 43,5 mil mortes por ano. Desde então, seguiram-se três anos seguidos de queda, para 38,6 mil em 2015, 37,3 mil em 2016 e 35,3 mil em 2017. Além disso, há anualmente centenas de milhares de internações provocadas pela violência no trânsito. Também segundo o Ministério da Saúde, 2016 registrou 180 mil internações motivadas por acidentes automobilísticos.

José Aurélio Ramalho, presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), uma organização dedicada ao tema, diz que a queda verificada nos últimos anos é multifatorial. Segundo ele, campanhas de conscientização, multas mais altas para comportamentos de alto risco como falar ao celular no volante ou dirigir em alta velocidade, além da crise econômica, que reduziu o número de viagens urbanas e rodoviárias nos últimos anos, são parte da explicação.

Ramalho vê com ressalvas a argumentação de que existe uma “indústria da multa”. Ele diz concordar com as reclamações, inclusive do presidente, de que há rodovias com radares que provocam reduções bruscas de velocidade. “Mas isso decorre justamente da incompetência do poder público que não consegue fazer uma adequação de infraestrutura para deixar o local mais seguro e coloca um radar naquele ponto perigoso”, diz.

Para o presidente do ONSV, o governo deveria resolver esses problemas pontualmente e não simplesmente tentar acabar com os radares, que em geral têm como efeito aumentar a segurança das estradas. “A multa é um acidente que não aconteceu, pois em vez de estar sendo multado por excesso de velocidade, você poderia estar matando alguém”, afirma Ramalho.

Ele destaca ainda que a argumentação do governo de que a não instalação de radares economizou R$ 1 bilhão não faz sentido. “A assessoria deveria informá-lo que o Estado gasta 52 bilhões por ano com acidentes”, diz, citando estudo do ONSV em parceria com a Universidade Federal do Paraná.

Ramalho é particularmente crítico da proposta feita por Bolsonaro de ampliar o número de pontos que um motorista pode ter antes de perder a licença. “O aumento de pontos vai na contramão do que deveria ser feito, porque ao fazer isso o Estado encoraja uma minoria de cerca de 5% de condutores que são infratores contumazes, são mais agressivos e cometem mais de duas ou três infrações por ano”, afirma.

Ele defende que a educação no trânsito seja ensinada nas escolas, como prevê o Código Brasileiro de Trânsito. “Nós não formamos condutores, mas adestramos as pessoas a decorar placa”, diz. “É preciso formar os motoristas a identificar riscos, pois se você não perceber o risco, você não muda seu comportamento”.

O projeto de Bolsonaro também modifica as regras para o transporte de crianças nos carros. Antonio Meira, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), elogia o projeto por colocar este tema na lei, fortalecendo a regra, que hoje é apenas uma resolução. Por outro lado, o médico se diz “estarrecido” com o fato de o projeto prever a substituição da multa para transporte de crianças sem cadeirinhas por advertências. “É um absurdo você não penalizar quem não utiliza um equipamento que em 70% dos casos pode salvar as crianças”, afirma.

Meira critica também a ampliação da validade da CNH de cinco para dez anos. “A argumentação do governo, de que a expectativa de vida aumentou, é muito frágil”, afirma. “Por meio desse exame é possível verificar inaptidão temporária ou definitiva, física ou mental, de quem tem doenças que podem interferir na segurança do trânsito”, diz.

Para o diretor da Abramet, a retirada da obrigatoriedade do exame toxicológico para motoristas profissionais, também prevista no projeto de Bolsonaro, é menos danosa. Segundo ele, o exame atual comprova se caminhoneiros, por exemplo, fizeram uso de drogas durante a vida e não enquanto estavam dirigindo. Segundo Meira, é imprescindível tirar das estradas motoristas que utilizam entorpecentes, mas o Brasil deveria caminhar para um modelo que fosse capaz de verificar o uso durante a condução do veículo, como no caso do álcool.

Tramitação

O projeto foi apresentado após a redução da tensão entre o governo e o Legislativo que marcou o mês de maio, mas não deve ter tramitação rápida na Câmara. Isso é visto com bons olhos por Ramalho, da ONSV. “O grande ponto positivo é que não é uma canetada, mas sim um projeto que será debatido no Congresso, e aí poderemos rever pontos que estão equivocadamente colocados”, diz.

Meira concorda. “É bom que haja discussão e que os especialistas sejam ouvidos. Na medicina, e na medicina do tráfego, trabalhamos com evidências científicas e não com achismos”, diz. “Se esse projeto for aprovado do jeito que está, podemos ter uma tragédia”.

Além das questões de mérito do projeto, aspectos políticos podem influenciar a tramitação. A oposição acusa o presidente da República de estar buscando benefício pessoal com o texto, uma vez que Bolsonaro, a mulher, Michelle, e os três filhos políticos têm juntos 44 multas de trânsito nos últimos cinco anos, segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo. “Legislando em causa própria?”, questionou o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) ao comentar as propostas no Twitter.

Possíveis aliados, como o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), presidente da Comissão Especial da Previdência, também reclamaram da apresentação do texto. “Enquanto estamos num seminário sobre reforma da previdência ele está vindo pra Câmara apresentar projeto de lei que trata de aumentar pontos na carteira de maus motoristas”, afirmou Ramos. Para o deputado, Bolsonaro “não tem noção de prioridade.”

Fonte: https://www.dw.com/pt-br/brasil-pode-ver-explos%C3%A3o-do-caos-no-tr%C3%A2nsito/a-49072160

Palestrantes discutem contribuições da medicina para redução do número de vítimas no trânsito

O presidente do CFM, Carlos Vital, destacou que os acidentes de trânsito constituem um problema de saúde pública e que é necessário o aperfeiçoamento de estratégias que tornem o trânsito brasileiro mais seguro

A contribuição da medicina para evitar que o Brasil seja um dos campeões mundiais em mortes no trânsito é um dos temas da primeira edição do Fórum de Medicina de Trafego do Conselho Federal de Medicina (CFM), que acontece nesta quinta-feira (23), em Brasília (DF). Além da redução da morbimortalidade no trânsito, o evento aborda ainda tópicos importantes da especialidade, como distúrbios do sono e direção veicular.

“Os números mostram que os acidentes de trânsito constituem um grave problema de saúde pública e um fato se impõe: apesar dos avanços da legislação ao longo dos anos e também do aumento na fiscalização, especialmente após a Lei Seca, há necessidade de aperfeiçoamento das estratégias para tornar o trânsito brasileiro mais seguro”, pontuou o presidente do CFM, Carlos Vital, em sua fala de abertura.

Após comentar os números recém divulgados pelo CFM – que demonstram os impactos dos acidentes de trânsito para o Sistema Único de Saúde (SUS) –, Vital reforçou que os dados podem ajudar a entender a dimensão do problema. “Esperamos que essas informações orientem os debates deste Fórum, para que possamos, juntos, abrir caminhos de paz no trânsito brasileiro”.

Ao saudar os presentes, o corregedor do CFM e coordenador da Câmara Técnica de Medicina de Tráfego, José Fernando Vinagre, destacou o engajamento dos membros dos componentes da Câmara. “A especialidade da medicina de tráfego tem uma inserção direta na sociedade e pode ajudar o País a combater essa epidemia de acidentes no trânsito”.

Além do presidente e do corregedor do CFM, também estiveram presentes na solenidade de abertura o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Lincoln Lopes Ferreira; o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Juarez Monteiro Molinari; e a presidente da Comissão Especial de Direito Médico e da Saúde da OAB Nacional, Sandra Frota Albuquerque.

Avanços e desafios – Durante a manhã, palestrantes de diversas áreas abordaram se voltaram para a questão “como a área da saúde pode contribuir para a redução da morbimortalidade no trânsito”. Um deles foi o consultor de segurança no trânsito da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS), Victor Pavarino.

Em sua fala, ele destacou que, do ponto de vista legal, o Brasil cumpre com a maioria dos requisitos estabelecidos para os principais fatores de risco e proteção no trânsito como, velocidade, direção sob efeito de bebida alcoólica e uso de cinto de segurança, capacete para motos e mecanismos de retenção para crianças.

No entanto, segundo ele há particularidades em cada localidade, que são determinantes para o sucesso das iniciativas. “Os profissionais das áreas de saúde, trânsito, segurança pública e demais podem fazer um excelente trabalho intersetorial, ao qualificar as informações e definir o quadro de acidentes e as intervenções necessárias. Mas cabe aos gestores locais investirem efetivamente em medidas necessárias, com os custos políticos e financeiros que isto implica”, disse.

Integração – Cheila Marina de Lima, coordenadora-geral de Vigilância de Agravos e Doenças não Transmissíveis do Ministério da Saúde, apresentou a experiência do Programa Vida no Trânsito. A ação consiste numa iniciativa voltada para a vigilância e prevenção de lesões e mortes no trânsito e promoção da saúde, em resposta aos desafios da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Década de Ações pela Segurança no Trânsito 2011 – 2020.

O programa tem como foco a intervenção em dois fatores de risco priorizados no Brasil: dirigir após o consumo de bebida alcoólica e velocidade excessiva ou inadequada, a partir das análises dos dados e enfoque científico. “A magnitude das lesões e mortes no trânsito na civilização humana é crescente e os custos econômicos e sociais decorrentes se avolumam e tornam-se um problema de saúde pública. É preciso promover estratégias integradas, especialmente no meio urbano”, pontuou.

 

Fonte: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=28257:2019-05-23-18-10-44&catid=3

Acidentes no trânsito deixaram mais de 1,6 milhão feridos em 10 anos

Seis de cada dez casos graves são de pessoas entre 15 e 39 anos

Os acidentes no trânsito deixaram mais de 1,6 milhão de brasileiros feridos nos últimos dez anos, e representaram um custo de cerca de R$ 2,9 bilhões para o Sistema Único de Saúde (SUS). As informações estão em levantamento divulgado hoje (23) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) com base em dados do Ministério da Saúde.

Os dados apurados revelam também que entre 2009 e 2018 houve um aumento de 33% na quantidade de internações por desastres nas ruas e estradas.

Na avaliação do diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e membro da Câmara Técnica do CFM, Antônio Meira, esses acidentes já são considerados um dos principais problemas de saúde pública do país.

“Além de provocar sobrecarga no serviço com aumento da ocupação dos leitos hospitalares, causa um prejuízo irreparável quando ocorre uma morte ou uma pessoa fica incapacitada para suas atividades habituais, como também traz prejuízo enorme para a saúde pública”, detalha o diretor.

Internações

O levantamento assinala que o número de internações no SUS por desastres nas ruas e estradas do Tocantins saltaram de 60 em 2009 para 1.348 em 2018. Pernambuco também teve crescimento significativo passando de 845 para 6.969.

Em alguns estados houve queda no número de internações. O Maranhão reduziu em 40% as internações por acidentes de transporte nos últimos dez anos, seguido por Rio Grande do Sul (22%) e Paraíba (20%).

São Paulo e Minas Gerais lideram o ranking de gastos federais com atendimentos por desastres nas ruas e estradas. Em 2018, o gasto de São Paulo foi de R$ 57 milhões e de Minas Gerais, de R$ 29 milhões.

O integrante do CFM, Antônio Meira, explica que as internações de vítimas de acidente de trânsito são mais onerosas. “As internações por acidente de trânsito são mais onerosas do que por outros tipos de doenças porque no geral são politraumatizados, precisam de cirurgias complexas, ortopédicas, neurológicas, precisam ficar em UTIs”.

Perfil

Entre as vítimas graves do tráfego no período de 2009 a 2018, os dados apontam que 60% dos casos são de pessoas entre 15 e 39 anos. Os maiores de 60 anos representam 8,4% do total e a faixa etária até os 14 anos representa 8,2%. Os principais acidentados são os homens (80%).

Prevenção

Em relação à prevenção dos acidentes relacionados ao trânsito, Antônio Meira diz que grande parte deles são provocados por fatores passíveis de serem evitados – como desrespeito às leis de trânsito, dirigir sob efeito de álcool e drogas, excesso de velocidade e não usar equipamentos de segurança como cinto e capacete. O diretor ressalta que para a prevenção é importante que haja campanhas de conscientização permanentes e fiscalização, além de ser necessário melhorar a infraestrutura das vias.

Campanha Maio Amarelo

Neste mês de maio ocorre a sexta edição da Campanha Maio Amarelo, que tem como tema “No trânsito, o sentido é a vida”.

O movimento é internacional e chama a atenção para o alto índice de mortes e feridos no trânsito com o intuito de estimular os condutores, pedestres e passageiros optarem por um trânsito mais seguro. O laço amarelo é o símbolo do movimento.

 

Edição: Gilberto Costa

Fonte: Agencia Brasil

Trânsito mata 5 pessoas por hora no Brasil e custa R$ 3 bilhões ao SUS

O trânsito mata cinco pessoas e manda para o hospital 20 pacientes a cada hora no Brasil. Ao todo mais de 1,6 milhão de pessoas ficaram feridas em dez anos ao custo de R$ 3 bilhões ao SUS (Sistema Único de Saúde) e 438 mil pessoas morreram no período.

Os dados serão apresentados hoje pelo CFM (Conselho Federal de Medicina), que realiza em Brasília um evento nacional para tratar do problema. De acordo com o estudo, a imprudência é a principal razão para os desastres, que atingem principalmente os homens, 80% das vítimas, a maioria formada por jovens.

Em 60% dos casos, quem morre tem idade entre 15 e 39 anos, enquanto 8,2% têm de zero a 14 anos e 8,4% são maiores de 60 anos. “Esses acidentes não são obra do acaso. A maioria é provocada por imprudência passível de prevenção”, afirma o médico Antônio Meira, diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego) e membro do CFM.

São homens jovens na fase produtiva que estão perdendo suas vidas ou ficando incapacitados
Antônio Meira, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego

Motos aumentam mortes no Norte e no Nordeste

Nas regiões Sul e Sudeste os óbitos caíram, respectivamente, 15% e 18% entre 2007 e 2016. Na região Norte, a mortalidade por acidentes subiu 30%, enquanto no Nordeste o crescimento foi de 28%. Na região Centro-Oeste, a alta foi de 7%.

Um número impressionante vem do Piauí: mortes saltaram de 670 para 1.047 entre 2007 e 2016, ou um aumento de 56%. A razão para esses aumentos pode ser a motocicleta.

“Provavelmente os números no Norte e Nordeste se devem ao aumento exponencial da moto. Ela substituiu o cavalo nessas regiões nos últimos anos”, diz Meira. “É um meio de transporte barato, fácil de ser financiado, mas é também mais vulnerável a acidentes graves, já que os pilotos são menos visíveis no trânsito, disputam espaço com veículos maiores e, sem proteção, sofrem lesões graves, sujeitas a internações.”

Acidentes lotam hospitais

Entre 2009 e 2018, as internações por acidente de trânsito cresceram 33% em todo o Brasil. Tocantins viu suas estatísticas explodirem: saiu de 60 internações, em 2009, para 1.348 no ano passado, 2.147% de aumento. É seguido por Pernambuco, com salto de 725% na última década. Apenas Maranhão (-40%), Rio Grande do Sul (-22%), Paraíba (-20%), Distrito Federal (-16%) e Rio de Janeiro (-2%) registraram queda nesse índice.

Meira lembra que “essas internações são mais onerosas para o Estado” porque estão relacionadas a “politraumas”, responsáveis por cirurgias complexas, como neurológicas, vasculares e ortopédicas. “Eles ficam mais tempo internados, precisam de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e, por isso, geram mais prejuízo financeiro.”

Prejuízo de R$ 3 bilhões ao SUS

As 20 internações por hora causadas por acidentes no trânsito custaram R$ 3 bilhões ao SUS em dez anos, R$ 290 milhões por ano, apenas para os cofres federais. “Não entra na conta o custo para os hospitais municipais e estaduais”, diz Meira.

Esse valor poderia ser investido no cuidado a outras doenças passíveis de prevenção
Antônio Meira, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego

A solução, diz, também é investir em alertas. “A cada 1 dólar gasto com prevenção, economiza-se 6 dólares”, calcula. “O Ministério da Saúde deveria participar de campanhas de prevenção. Isso diminuiria as internações e reduziria as pensões para segurados que recebem benefício pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) por ficarem incapacitados para o trabalho.”

Ele sugere que parte dos R$ 3 bilhões economizados com prevenção deveria ser reinvestida “em fiscalização para diminuir a impunidade no trânsito”. “Como não será possível evitar todos os acidentes, outra sugestão é investir no atendimento pré-hospitalar, resgate e tratamento dos lesionados.”

Educação pode reduzir riscos de acidentes de trânsito

Band Notí­cias

Em dez anos, acidentes de trânsito consomem quase R$ 3 bilhões do SUS

No Brasil, a cada 60 minutos, em média, pelo menos cinco pessoas morrem vítimas de acidente de trânsito. Os desastres nas ruas e estradas do País também já deixaram mais de 1,6 milhão de feridos nos últimos dez anos, ao custo direto de quase R$ 3 bilhões para o Sistema Único de Saúde (SUS). Os números fazem parte de um levantamento elaborado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que nesta semana realiza em Brasília (DF) um evento nacional para entender esse problema que atinge proporções epidêmicas.

Para o coordenador da Câmara Técnica de Medicina de Tráfego do CFM, José Fernando Vinagre, os números mostram que os acidentes de trânsito constituem um grave problema de saúde pública e que provoca sobrecarga nos serviços de assistência, em especial nos prontos-socorros e nas alas de internação dos hospitais. “É preciso reconhecer o importante aprimoramento da legislação ao longo dos anos e também o aumento na fiscalização, especialmente após a Lei Seca. No entanto, precisamos avançar nas estratégias para tornar o trânsito brasileiro mais seguro”, destacou.

Segundo a análise do CFM, a cada hora, em média, cerca de 20 pessoas dão entrada em um hospital da rede pública de saúde com ferimento grave decorrente de acidente de transporte terrestre. Ao avaliar o volume total de vítimas graves do tráfego nos últimos dez anos (1.636.878), é possível verificar que 60% desses casos envolveram vítimas com idade entre 15 e 39 anos, sendo menor a frequência nas faixas etárias que vão de zero a 14 anos (8,2%) e em maiores de 60 anos (8,4%). Outra constatação: quase 80% das vítimas eram do sexo masculino.M

Mais vítimas – Entre 2009 e 2018, houve um crescimento de 33% na quantidade de internações em todo o País. O pior cenário, proporcionalmente, foi identificado no estado de Tocantins, que saiu das 60 internações, em 2009, para 1.348, no ano passado (aumento de 2.147%). Na sequência aparece Pernambuco, onde o salto foi de 725% na última década. Apenas cinco estados registraram queda no número de internações por acidente de transporte: Maranhão (redução de 40%), Rio Grande do Sul (22%), Paraíba (20%), Distrito Federal (16%) e Rio de Janeiro (2%).

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Em números absolutos, 43% do volume total de internações registradas no SUS no período ficou concentrado em estados do Sudeste, região que reúne também metade da frota de veículos automotores do País. Outros 28% dos casos graves ficaram no Nordeste e o restante ficou diluído entre o Sul (12%), Centro-Oeste (9%) e Norte (7%).

Para a presidente da CFM, Carlos Vital, a solução para reduzir os acidentes depende de uma série de fatores de prevenção, reforço na fiscalização e sinalização, além de questões de infraestrutura e aprimoramento dos itens de segurança dos veículos. “Neste contexto, os médicos desempenham papel fundamental nas discussões sobre direção veicular segura. O impacto desses acidentes nos serviços de saúde é alto. Leitos são ocupados, hospitais e médicos se dividem no atendimento entre os acidentados e os que procuram assistência médica para patologias que não poderiam prevenir, diferentemente dos acidentes de trânsito, que podem ser reduzidos e prevenidos”, destacou.

Sobrecarga para o SUS – Se por um lado as tragédias no trânsito trazem dor e sofrimentos aos pacientes e seus familiares, por outros elas também estendem suas consequências para o bolso dos brasileiros. Na última década, as internações hospitalares decorrentes de acidentes de trânsito consumiram cerca de R$ 2,9 bilhões do SUS, em valores atualizados pela inflação do período.

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Antonio Meira Júnior, diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e membro da Câmara Técnica do CFM, lembra que os custos com os acidentes de trânsito vão além das hospitalizações. “Estamos falando de um custo médio de aproximadamente R$ 290 milhões ao ano, que obviamente foi investido para salvar vidas, o que é justificável. Se conseguíssemos diminuir o número de vítimas do trânsito, no entanto, teríamos um impacto muito grande também nas contas públicas. São recursos que poderiam ser direcionados para outras áreas prioritárias da assistência em saúde no País”, pontua.

Estimativas conservadoras, segundo ele, calculam em cerca de R$ 50 bilhões ao ano os gastos com os acidentes, incluindo atendimento médico-hospitalar, seguros de veículos, danos a infraestruturas, perda ou roubo de cargas, entre outras despesas. “É preciso lembrar que existem outros custos envolvidos neste contexto, como o do absenteísmo por doença (falta do trabalhar por atestado ou licença-saúde), com auxílios doença e tudo o mais que o País tenha investido no indivíduo que veio a óbito ou que ficou inválido em idade produtiva. Mais grave do que toda essa matemática, porém, são as sequelas físicas e emocionais – muitas vezes irreversíveis – que cada um destes acidentes deixa na vida das pessoas”.

Mortalidade em queda – Segundo o levantamento do CFM, que considerou ainda dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, só em 2016 (ano mais recente disponível), foram registrados 37.345 óbitos decorrentes de acidentes de transportes terrestres. Embora a quantidade seja a menor registrada no período analisado (2007 a 2016), o número de mortes tem avançado em alguns estados, sobretudo das regiões Nordeste e Norte do País.

CONFIRA AQUI A QUANTIDADE DE ÓBITOS POR ESTADO.

Na região Norte, a mortalidade por acidentes subiu 30%. Da mesma forma, no Nordeste houve um crescimento de 28% dos casos. No Centro-Oeste também houve aumento do indicador (7%), enquanto nas regiões Sul e Sudeste apresentaram menor quantidade de óbitos em 2016, frente à 2007, com queda de 15% e 18%, respectivamente.

Embora os estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná liderem o ranking nacional em números absolutos de mortes no trânsito durante os últimos dez anos, o Piauí foi a federação que apresentou o maior crescimento proporcional no período: 56%. Em 2007, 670 óbitos haviam sido registrados naquele estado, número que saltou para 1.047 dez anos depois. Na mesma proporção, de 56%, cresceram os registros vítimas fatais no Maranhão no período. Ao todo, 16 estados notificaram aumento desse tipo de agravo.

De outro lado, o estado mais populoso do País informou queda na quantidade de óbitos desta natureza. Em 2016 foram 5.740 mortes, 24% a menos que o indicado em 2007 (7.550). No quadro nacional, também figuraram com redução significativa de casos fatais no período os estados de Santa Catarina e Roraima, ambos com queda de 23%; Distrito Federal (22%); e Espírito Santo (20%).

Fonte: http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=28254:2019-05-22-21-49-04&catid=3