Defesa da ética na atuação profissional será prioridade para a nova gestão da Abramet, garante João Roberto Adura

A elaboração de um código de conduta para o médico de tráfego e o estímulo à atuação ética dos especialistas em suas atividades. Essas são duas metas de trabalho da nova gestão da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), que estão sob a responsabilidade de João Roberto Adura, diretor de Ética Médica da entidade, empossado na função, no sábado (11), em solenidade na Associação Médica Brasileira (AMB), em São Paulo (SP).

Com 22 anos de exercício na medicina de tráfego, João Roberto Adura assume com a expectativa de contribuir com o fortalecimento da entidade e da especialidade em si. Formado em São Paulo pela Unesp e integrante de uma família de médicos, ele iniciou sua carreira na especialidade em 1988 e garante nunca ter perdido o entusiasmo pela atividade. “Eu peço a meus colegas que, cada vez mais, valorizem a medicina de tráfego. Nossa finalidade é muito nobre: manter e salvar vidas”, afirma.

Casado e pai de dois filhos, João Roberto tomou posse no sábado, 11 de janeiro, convencido de que a ética é um valor enraizado na prática da medicina de tráfego. Os tempos atuais, entretanto, exigem ações permanentes para manter firme esse atributo e a entidade seguirá colaborando para que o especialista mantenha a postura adequada no exercício da profissão. O novo diretor planeja discutir e formular um código de ética para a medicina de tráfego, inspirado nas emanações do Conselho Federal de Medicina, mas reforçando aspectos individuais da especialidade. “Para quem trabalha direito, a ética é um valor natural. Mas é preciso cultivá-la o tempo todo”. Leia a entrevista:

Qual a agenda estratégica para a Diretoria de Ética Médica nessa gestão?

JRA – O próprio nome diz tudo: ética médica. Nós temos uma bíblia superior que é o Código de Ética Médica, aprovado pelo Conselho Federal de Medicina, e temos que adequar nossas atitudes a ele. Nossa especialidade não tem um código próprio, não temos um documento individualizado. Um de nossos projetos é elaborar um arcabouço específico para a nossa atividade. A medicina de tráfego é multidisciplinar e parece difícil individualizar uma ou outra conduta. Mas, ainda assim, vamos trabalhar pela produção de parâmetros específicos nesse campo e para o fortalecimento de ações de estímulo e conscientização do especialista para o cultivo da ética médica em todos os momentos do exercício da profissão.

Muito se tem discutido sobre a qualidade do exame de aptidão física e mental realizado pelo médico de tráfego. Qual sua avaliação sobre esse tema?

JRA – É muito preocupante. Nós, que estamos há mais tempo na área e levamos a atividade a sério, ficamos muito tristes quando ouvimos que um especialista não realizou um bom exame. Existe uma orientação e um procedimento a ser feito e há quem não faça. Isso fere nossa especialidade e o Código de Ética Médica. Esse é um tema que precisamos atacar para dar uma resposta ao cidadão. Vamos estudar de que forma podemos ter alguma atuação direta para enfrentarmos essa questão e reverter esse quadro.

Como o senhor enxerga o momento atual da medicina de tráfego e como sua área pode fomentar o fortalecimento da especialidade no Brasil?

JRA – A medicina de tráfego é muito importante por atuar na busca de um trânsito mais seguro, com a redução de mortes e sequelas. Também estudamos e interagimos com todos os campos da medicina. São diversos os grupos, estratos da população, que podem ser atendidos e beneficiados pela atuação da medicina do tráfego. A diretoria de ética médica tem grande contribuição a dar na defesa da especialidade, dando ao especialista o conhecimento, respaldo e ferramentas necessários ao pleno exercício da atividade.