Especialistas questionam utilidade do exame toxicológico para redução de acidentes

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O I Seminário de Trânsito e Cidadania teve início nesta quarta-feira (21), no Centro de Convenções de Vitória. E no primeiro dia de evento, especialistas questionaram a utilidade do exame toxicológico. Segundo eles, o teste, que aponta o uso de drogas e é obrigatório para motoristas profissionais, não garante a queda no número de acidentes e infrações.

Um dos especialistas que questionaram a utilidade do exame na redução dos índices de acidente foi o médico da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Antônio Meira. Ele discursou durante 40 minutos sobre o exame toxicológico e afirmou que o teste não evita infrações de trânsito.

“[O exame] não consegue detectar o comprometimento da capacidade psicomotora do condutor no ato de conduzir o veículo. Ele é feito só quando a pessoa pretende se habilitar nas categorias C, D e E, ou quando está renovando a CNH. Então esse exame não tem uma comprovação cientifica de reduzir os acidentes de trânsito”, ressaltou.

O exame toxicológico é realizado em motoristas profissionais para a retirada ou renovação da carteira de habilitação nas categorias C, D e E. Com a análise de pelos ou cabelo, o exame aponta se o condutor consumiu drogas ou substâncias psicoativas nos últimos 90 dias antes da realização do teste.

Esse tipo de exame se tornou obrigatório no Brasil em março deste ano. De lá para cá, segundo o diretor de habilitação e veículos do Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES), José Eduardo de Souza Oliveira, o que diminuiu não foi o número de acidentes, mas o de candidatos a motoristas profissionais.

“Após essa data, nós já identificamos uma redução de aproximadamente 50% de candidatos que se dispuseram a fazer a prova prática. Como houve essa redução do número de candidatos, nós entendemos que estamos habilitando condutores que não têm nenhum histórico de utilização de nenhuma substância proibida”, destacou.

Para os especialistas, o exame toxicológico deve ser mantido, mas deve ser acompanhado por testes mais detalhados e blitz nas ruas. “Se você conduzir o veículo de forma correta, se você usar o cinto de segurança, se você não ultrapassar os limites de velocidade da via, se você não ultrapassar o sinal, você não vai ser multado. Só vai ser multado quem não respeitar as leis de trânsito. Então a blitz deve sim ser feita. E não só aumentar as blitze, como aumentar a punição, porque o que acontece é a impunidade”, salientou Antônio Meira.

Seminário

O I Seminário de Trânsito e Cidadania segue nesta quinta-feira (21), no Centro de Convenções de Vitória, a partir das 9 horas. O evento conta com transmissão ao vivo no jornal online Folha Vitória.

Veja a galeria de fotos do primeiro dia do evento!

O seminário faz parte da programação preparada pelo Detran para a Semana Nacional de Trânsito. O objetivo é conscientizar o cidadão a desenvolver atitudes e comportamentos seguros no trânsito, além de divulgar os projetos que vêm sendo desenvolvidos pelo departamento.

Confira a programação do segundo dia do seminário:

Manhã
9h00 – Casos de sucesso – Detranzinho
10h00 – Espaço para questionamentos e contribuições dos participantes
10h15 – Coffee break
10h45 – Painel I – Educação para o trânsito como indutor da cidadania
– Moderador: Flavio De Mori – LabTrans/UFSC
– Painelista: Jota Pedro Correa – Volvo do Brasil
– Painelista: Roberta Mantovani – Observatório Nacional de Segurança Viária
12h00 – Espaço para questionamentos e contribuições dos participantes
12h15 – Intervalo para o almoço

Tarde
14h00 – Sessão de Palestra II
Palestra I – Tema: Tecnologias para a segurança no trânsito e mobilidade urbana
Palestrante: Hélio Moreira CB 16 – ABNT
Palestra II – Tema: Boas práticas para formação de condutores
Palestrante: Roberta Mantovani – Observatório Nacional de Segurança Viária
16h00 – Espaço para questionamentos e contribuições dos participantes
16h15 – Sessão de Encerramento

Fonte: http://www.folhavitoria.com.br/ – I Seminário de Trânsito e Cidadania