Segunda live promove debate sobre a saúde do idoso condutor, pedestre e ciclista

A saúde do idoso no trânsito foi o tema central da segunda live promovida pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), realizada na última sexta-feira (24). A transmissão, que está disponível no canal do Youtube e na página oficial da entidade no Facebook, já conta com mais de 700 visualizações nas duas plataformas. Participaram do encontro os especialistas Verônica Hagemeyer, geriatra, médica de tráfego e chefe do Serviço de Perícia Médica do Departamento de Trânsito do Estado do Rio de Janeiro (Detran-RJ), e Flávio Adura, diretor científico da Abramet. A moderação ficou a cargo do presidente da instituição, Antonio Meira Júnior.

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“O envelhecimento pode trazer limitações físicas e mentais aos motoristas. Em muitos casos, quando o problema é físico, como a perda de visão e audição, há mais chances de o próprio idoso reconhecer que não pode mais dirigir. Mas essa conscientização é mais difícil quando envolve critérios da saúde mental, como a perda de atenção e concentração. Desse modo, o exame de aptidão física e mental realizado pelo médico de tráfego é importante para evidenciar se o condutor idoso terá condições de dirigir com segurança”, explicitou Meira Júnior.

PANORAMA – Verônica Hagemeyer iniciou sua exposição com um panorama do envelhecimento no Brasil, com a definição da Organização das Nações Unidas (ONU), que versa sobre o mundo estar no centro de uma transição demográfica única irreversível, que irá resultar em mais população de idosos em todos os lugares. Conforme mostram estudos, a partir de 2015, há a projeção é de um crescimento de 3% de idosos ao ano e, em 2050, 30% da população terá mais de 60 anos no Brasil.

“É importante frisar que o envelhecimento é biopsicossocial. Envelhecemos em conjunto com a nossa sociedade e com a nossa cabeça junto. É preciso cuidar também da nossa mente para que possamos envelhecer com qualidade. Há um critério também com relação ao sexo, que diz que as mulheres tendem a viver mais do que o homem, mas isso vai depender do estilo de vida adotado, das doenças e da maneira que essa pessoa envelhece”, explica.

Segundo ela, é importante que a pessoa tenha um passado saudável, pois, ao contrário, as doenças irão se projetar. De acordo com a médica, as doenças orgânicas são responsáveis por 12% dos acidentes de trânsito. Há, principalmente, um comprometimento do idoso em doenças como infarto, Acidente Vascular Cerebral, as quedas com traumas cranioencefálicos, as vertigens, a catarata, o glaucoma, as doenças neurológicas, entre outras.

“O envelhecimento é um processo fisiológico, mas que vem com alterações estruturais e funcionais no organismo inteiro. São essas alterações que acabam facilitando que as doenças se aproximem e que a morte venha de maneira doente porque é, normalmente, um envelhecimento mal sucedido. Com o envelhecimento há ainda a perda da capacidade de adaptação, então, o organismo acaba se tornando muito mais vulnerável às agressões”, enfatiza Verônica.

NO TRÂNSITO – Já o diretor científico da Abramet, Flávio Adura, abordou as diferenças entre as limitações físicas e mentais, uma vez que a conscientização é mais difícil quando os problemas envolvem perda de atenção, concentração e avaliação, causados por doenças cognitivas, como o mal de Alzheimer. Nesses casos, o idoso não percebe a perda de habilidade essencial à condução de um veículo.

“O ato de dirigir exige uma integração entre a cognição e a resposta motora e as perdas decorrentes do envelhecimento vão impedir, gradativamente, essa interação. Ao mesmo tempo, os idosos são condutores mais experientes e, em geral, mais prudentes, não digerem no excesso de velocidade ou alcoolizados, na maioria das vezes, utilizam cinto de segurança e cuidam da manutenção do veículo”, disse o especialista.

Nesse sentido, as infrações de trânsito mais comumente cometidas por motoristas idosos são desobediência a sinais de parada no farol vermelho; conversão proibida à esquerda; não circulação pelo lado direito da via; efetuação de retorno proibido; e realização de ultrapassagem perigosa.

Conforme explicou Adura, o médico de tráfego é fundamental na realização do Exame de Aptidão Física e Mental (EAFM) para a diminuição da morbimortalidade dos acidentes de trânsito que envolvem condutores idosos.

“Importante lembrar também que o exame não pode ser igual para todos os candidatos, ou seja, um exame de um jovem de 18 anos não pode ser o mesmo de um diabético que usa insulina de 50 anos e de um idoso de 80 anos. As demências cognitivas estão na quarta posição de doenças orgânicas mais frequentemente responsáveis pelos acidentes de trânsito fatais. Então, deve ser feita uma avaliação mental, o que significa que não basta medir a pressão e acuidade visual do candidato”, enfatizou adura.

O especialista abordou ainda sobre o idoso ciclista e a importância de visita ao médico para ver como está sua condição de saúde para que possa desfrutar de todos os benefícios do ciclismo, como a que melhorar resistência muscular e reforço à saúde mental, por exemplo. Além disso, é importante que o ciclista saiba as leis de trânsito e quais são os equipamentos segurança adequados.

Em relação ao idoso pedestre, há um risco importante de acidentes, visto que a mortalidade por atropelamento é maior a partir dos 60 anos. A diminuição do nível de atenção leva a desrespeitar sinais de trânsito e a uma percepção limitada do risco. Por isso, é importante que o idoso, sempre que possível, caminhe por lugares conhecidos, faça uso de bengalas quando necessário, tenha cuidado com pisos escorregadios, atravesse a rua sempre nas faixas de segurança para pedestres.