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Em reunião da OPAS/OMS, Abramet defende maior parceria com o médico do tráfego na prevenção de sinistros

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“A medicina do tráfego é quem oferece o subsídio para essas legislações. Nós discutimos a fiscalização, mas quem dá o subsidio é a área médica e, especialmente, a medicina do tráfego. E eu quero, em nome dos médicos do tráfego, reivindicar que parte da redução de 44 mil mortes para 32 mil nos últimos 10 anos, seja atribuída a nossa responsabilidade. Se não fizéssemos o que fazemos, não teria baixado nesse nível”. Essa mensagem foi levada pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) à Reunião de Atores em Segurança Viária, realizada pelo escritório da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, nos dias 09 e 10 de junho para discutir os desafios e as potencialidades para a segurança viária e apontar caminhos para alcançar os objetivos colocados para a Década de Ação pela Segurança no Trânsito 2021-2030 no país.

O evento foi coordenado por Victor Pavarino, assessor em segurança viária e mobilidade sustentável da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a entidade foi representada pelo médico do tráfego e coordenador do Departamento de Atendimento Pré-Hospitalar, Carlos Alberto Guglielmi Eid, que participou de painel da sexta-feira (10/06), com o tema Motocicletas: desafios e oportunidadesEle destacou a importância e o efeitos da atuação do médico do tráfego na prevenção de sinistros. Responsável pela avaliação clínica de candidatos a condutor, o médico especialista tem papel essencial na identificação de riscos e prevenção de sinistros de trânsito.

O debate foi mediado por David Duarte Lima, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Brasília (UnB); e contou com a participação de Antônio Monteiro de Souza, Coordenador de Engenharia de Tráfego da SENATRAN e Luiz Carlos Mantovani Néspoli, Superintendente da Associação Nacional de Transporte Público (ANTP).

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“A OMS diz que a maioria das pessoas não percebe onde o sistema de saúde atua na prevenção. A maioria não tem a percepção mesmo e nós temos absoluta certeza disso”, disse Eid. “Nós queremos reduzir os números, é só isso o que nós queremos”, destacou, sobre a atuação da Abramet em defesa da prevenção do sinistro de trânsito. Segundo ele, esta preocupação deve estar na rotina de todo o sistema de saúde e a medicina do tráfego deve ter maior espaço apoiando iniciativas e políticas públicas com este foco.

A Reunião de Atores em Segurança Viária antecede a Reunião de Alto Nível que acontecerá nos dias 30 de junho e 1º de julho de 2022, na Assembleia Geral da ONU em Nova York, sob o tema O horizonte 2030 para a segurança viária: garantindo uma década de ação e entregas, e funciona como uma preparação do posicionamento da delegação brasileira que participará da reunião da ONU.

Perguntado sobre que recomendações o Brasil poderia levar para a reunião marcada na sede da ONU. Eid foi além: “Eu criaria indicadores que permitissem avaliar o efeito do exame médico feito no condutor. Seria muito importante termos dados para cruzar os resultados dos exames com o registro de acidentes”, recomendou. “E levaria essas informações sobre as doenças e sua relação com o ato de dirigir para todos os cantos desse país, colocando o Ministério da Saúde à frente, levando informação para as UBS e UPAS”. Segundo ele, diretrizes de conduta divulgadas pela Abramet deveriam ser levadas em consideração na formulação de políticas públicas, na capacitação de médicos e demais profissionais de saúde do setor píublico e campanhas para educação no trânsito.

“Os médicos de UBS, médicos de saúde que atuam Brasil afora, precisam ter uma instrução mínima sobre temas como o efeito da droga no ato de dirigir. Quando ele identifica uma doença ou prescreve uma droga para seus pacientes, tem que conhecer o efeito sobre a direção”, comentou. O especialista também defendeu uma melhoria do atendimento pré-hospitalar para dar aos pacientes melhores condições de recuperação. “O socorro inicial do sinistro também deve ser visto como fator de reversão de óbitos”, pontuou.