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Segundo dia do Congresso da Abramet reforçou a importância da Lei Seca e de ações educativas

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Na manhã de sexta-feira (15), exposição, painéis e palestras deram continuidade ao XV Congresso Brasileiro de Medicina do Tráfego e ao IV Congresso Brasileiro de Psicologia do Tráfego, realizados pela Abramet, de 14 a 16 de setembro, no Costão do Santinho Resort, em Florianópolis. Entre os temas das palestras, os avanços de ambas as áreas para um trânsito seguro, a importância da consciência de cada cidadão e os desafios para garantir uma mobilidade saudável foram explanados ao longo da manhã.

O painel de abertura do dia, “25 anos do Código de Trânsito Brasileiro: Avanços da legislação e da Medicina e Psicologia por um trânsito seguro”, teve como coordenadores o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, e a presidente da Abrapsit, Patrícia Sandri. Na sequência, o painelista Rodrigo Pimentel, diretor do Detran da Bahia, representando o presidente da Associação Nacional dos Detrans, Jonielson Pereira de Oliveira, abordou a relevância do evento nas melhorias para o trânsito.

“Tivemos grandes vitórias para a segurança viária, como a Lei Seca e o projeto de lei que obriga o exame psicológico para todas as fases e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), para citar algumas”, observou. Pimentel disse ser preciso entender a CNH como um documento relevante para assegurar a qualidade de vida de todos os que se deslocam. “Os exames clínicos e psicológicos são essenciais para saber se a pessoa está apta a dirigir, e essa integração entre médico e psicólogo é essencial”, concluiu.

Quem encerrou o primeiro painel da manhã foi o senador da República, Fabiano Contarato. De acordo com ele, falar sobre o Código de Trânsito Brasileiro e suas regras, vai além de qualquer partido. “Estamos falando de trânsito em condições seguras, que salva vidas e existem três elementos fundamentais para redução de acidentes: fiscalização, educação e punição”, observou.

Conforme Contarato, se o Estado não faz nada disso,” temos a certeza de impunidade, o que coloca o Brasil entre os países que mais matam no trânsito”. O senador reforçou que precisa ser responsabilidade do Estado acolher um familiar que sente a falta de um ente e, endossando Sandri, deixou a reflexão: “quanto vale uma vida humana? Admitir um exame psicológico para o resto da vida é inconcebível. Dirigir é um privilégio. Então precisa é preciso ter responsabilidade sob esta permissão”, disse. “Espero contribuir para que a sociedade lute pelo principal bem jurídico, que é a vida de todos nós”, concluiu.

Responsabilidade de todos – O segundo painel tratou sobre os “15 anos da Lei 11.705 (Lei Seca): Como convencer cidadãos, que têm consciência do antagonismo entre o consumo de álcool e a condução de veículos, mas por razões inexplicáveis, acreditam ser exceção à regra?”. Com um questionamento quase retórico já no título, as palestras foram emocionantes.

Os coordenadores do painel, Juliana Guimarães, diretora científica da Abrapsti, e Arilson Carvalho, diretor de Relações Institucionais Abramet deram início às apresentações. Juliana relembrou que cidadãos têm o direito de ir e vir, mas não de conduzir. “Conduzir é portar uma arma que pode ceifar vidas e a sociedade precisa entender que divide o espaço com todo mundo e que é preciso ter respeito pelo próximo. É preciso repensar comportamentos para melhorarmos cada vez mais a segurança no trânsito”, finalizou.

Os painelistas Hugo Leal, deputado federal, e Christiane Yared, Fundadora do Instituto Paz no Trânsito, tiveram falas inspiradoras. Ela compartilhou sua história de vida, quando perdeu um filho de 19 anos em um acidente de trânsito e como, apesar da dor, isso mudou sua vida e a fez trabalhar para diminuir o número de acidentes de trânsito.

“Ainda é possível mudar a realidade, tem muita gente que trabalha todos os dias para tanto, o Instituto conseguiu reduzir em 43% os acidentes de trânsito em Curitiba. É preciso educar as pessoas, mudar a realidade para todos terem uma cidade melhor para se viver”, reforçou Yared.

Leal, por sua vez, fez questão de relembrar que se não fosse a Abramet, não existiria a Lei Seca como ela é hoje, zero tolerância para direção e álcool. “De 2006 a 2017 tivemos mudanças de comportamento e atualizações da Lei Seca, mas ainda temos alguns desafios, entre eles a certeza e a celeridade da punição e a implantação da educação no trânsito em todos os níveis do Código de Trânsito Brasileiro “, disse.

Médicos do tráfego – Flavio Emir Adura, diretor científico da Abramet, foi quem liderou a “Conferência Magna – Novas Fronteiras da Medicina do Tráfego: Os desafios da Medicina para garantir uma mobilidade segura e inclusiva”, ciceroneado pelo coordenador Ricardo Hegele, primeiro Vice-Presidente da Abramet. 

Adura contou que a Abramet surgiu a partir de uma demanda dos médicos legistas que, muitas vezes, ficavam impressionados com as condições em que recebiam as vítimas. Ele explicou que as diretrizes da medicina do tráfego colaboram com as regras e o comportamento dos usuários em relação ao sistema viário.

Segundo Adura, os médicos do tráfego têm responsabilidades, também, na hora de pensar a inclusão de pessoas idosas ou com histórico de epilepsia, entre outras especificidades. “A missão do médico de tráfego é preservar vidas no asfalto e encontrar formas de praticar a inclusão sempre que possível. Ele lembrou, ainda, que desde quando foi implementada, 50 mil vidas foram poupadas com a Lei Seca.

Os debates continuaram durante toda a tarde, discutindo diretrizes para inclusão e suas atualizações, legislações e emergências médicas em voos domésticos, além de falar sobre o aparelho locomotor. O Congresso de Psicologia aconteceu paralelamente, com assuntos complementares em uma perspectiva emocional e comportamental.