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Jornada Científica da Abramet reúne 340 médicos do tráfego em Belo Horizonte

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Ao se habilitar como motorista aos 23 anos de idade, o hoje Presidente do Departamento de Trânsito do Estado da Bahia (Detran-Ba), Rodrigo Pimentel de Souza Lima, descobriu que era hipertenso. Considerando o benefício para a saúde e o ganho na expectativa de vida saudável resultantes do controle da doença, graças ao acompanhamento médico que faz há mais de duas décadas, aquele primeiro Exame de Aptidão Física e Mental para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação por si só já justificaria sua existência.

O depoimento de Rodrigo Lima resume bem o clima de congraçamento e de compartilhamento de evidências e consensos que permeou toda a Jornada Científica promovida pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) e sua federada, a AMMETRA, no último sábado (24), em Belo Horizonte.

Segundo o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, as doenças orgânicas, como a hipertensão, são responsáveis por cerca de 12% dos sinistros de trânsito fatais, sendo o fator de risco de maior constância entre os múltiplos outros que contribuem para a ocorrência destes eventos indesejados. E as Jornadas Científicas têm o objetivo de atualizar o debate dos principais temas que desafiam os médicos do tráfego, incluindo as questões políticas e científicas relacionadas com a mobilidade humana, considerando toda a sua complexidade.

Na abertura do evento, que reuniu mais de 340 médicos do tráfego no Centro de Convenções da Associação Médica, Meira Júnior convidou os colegas para se engajarem às lutas da Abramet, “visando fortalecer o compartilhamento de experiências de sucesso e a representação da categoria junto à gestão de políticas públicas em defesa da saúde e de um trânsito mais sustentável”.

PARCERIAS – Para o diretor de Defesa do Exercício Profissional da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), Marcelo Versiani Tavares, “a medicina do tráfego tem sua beleza própria, pois visa o bem-estar físico, psíquico e emocional do condutor e também de todos os envolvidos”.

A opinião De Tavares foi referendada pela vice-diretora do Detran-MG, Andrea Abood, que acrescentou: “ a circulação nas ruas exige uma conduta consciente e responsável de todos, e a avaliação do condutor de veículos pelo médico do tráfego é muito importante para se alcançar a meta da redução de sinistros e mortes no trânsito”, afirmou.

A delegada participou da abertura do evento, ao lado da diretora da Divisão de Habilitação do Detran-MG, Maria Alice Faria, da presidente da Associação de Clínicas de Trânsito do Estado de Minas Gerias (ACTRANS- G), Adalgisa Lopes e da presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado (CRM-MG), Ivana Raimunda de Menezes.

HOMENAGENS – A Jornada Científica, em Belo Horizonte, na avaliação do presidente da Associação Mineira de Médicos do Tráfego (AMMETRA), Arilson de Souza Carvalho, “foi motivo de muita emoção e gratidão, especialmente após a saída vitoriosa da pandemia da covid-19”.

Carvalho aproveitou a representatividade da categoria, que atua nas 620 clínicas credenciados para realização do Exame de Aptidão Física e Mental (EAFM) em Minas, para homenagear publicamente o diretor científico da Abramet, Flavio Adura. “Somos todos filhos científicos e morais desse homem, que traz sobre seus ombros de gigante todo o balizamento técnico e científico oferecido à Medicina do Tráfego”, declarou.

E, em “reconhecimento à atuação de autoridades parceiras na promoção da saúde e prevenção de sinistros no trânsito”, Arilson Carvalho e o presidente da Abramet, Antônio Meira Júnior,  entregaram placas de homenagem também ao diretor–chefe do Departamento Estadual de Trânsito do Estado de Minas Gerais (Detran-MG), Eurico da Cunha Neto (representado pela vice-diretora do Departamento, Andrea Abood); ao diretor geral do Detran-BA, Rodrigo Pimentel de Souza Lima; à diretora da Divisão de Habilitação do Detran-MG, Maria Alice Faria e à  presidente da Associação de Clínicas de Trânsito do Estado de Minas Gerias (ACTRANS- MG), Adalgisa Lopes.

ATUALIZAÇÃO CIENTÍFICA – Na Jornada Científica realizada na capital mineira, a grande novidade foi a apresentação das diretrizes para o exame físico e mental do condutor idoso. Segundo o diretor cientifico da Abramet, Flavio Adura, que ministrou a palestra sobre o tema, “a avaliação do condutor idoso exige, além da acurácia dos parâmetros científicos, muita sensibilidade e bom senso do médico perito”, observou.

Para Adura, “na atual sociedade sobre rodas, retirar a CNH do idoso pode representar a retirara de autonomia para muitas atividades diárias, o que pode contribuir para a evolução de um quadro depressivo dessa população, que aumenta cada vez mais no país”, pontuou.

Sobre as diretrizes para o condutor idoso, ele admitiu que, “embora não estejam tão bem consolidadas quanto as diretrizes para a avaliação de condutor com Parkison (com mais de 400 referências bibliográficas), o embasamento científico de tais diretrizes poderá contribuir muito para a realização do EAFM dos idosos”, garantiu.

Além das diretrizes para o público com mais de 60 anos de idade, a programação enfatizou outras diretrizes mais complexas para os médicos peritos, como a doença de Parkinson e outras síndromes parkinsonianas, que afetam uma a cada sete pessoas antes dos 50 anos de idade, e que já contabilizam cerca de 200 mil casos no Brasil.

CRITÉRIO E RESPEITO – Também a doença renal crônica dialítica, presente em 150 mil brasileiros, segundo o diretor científico da Abramet, Alysson Coimbra, exige atenção e, sobretudo, recomendação do médico do tráfego para que o paciente não dirija no dia em que realizar a hemodiálise.

“Os sintomas anteriores e posteriores ao procedimento podem colocar o paciente em risco, até mesmo de morte súbita, o que torna inviável a condução de veículos”, justificou. Coimbra acrescentou que exames complementares, como hemoglobina glicada, por exemplo, deveriam constar no protocolo de avaliação desses pacientes, mas ainda representa um desafio para o Sistema Único de Saúde no atendimento à medicina do tráfego.

O primeiro vice-presidente da Abramet, Ricardo Irajá Hegele, destacou as diretrizes para o transtorno do espectro autista e a esquizofrenia. Esta última, considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a quarta doença mais incapacitante, que afeta 23 milhões de pessoas no mundo, e cujos primeiros sintomas aparecem no final da adolescência e início da fase adulta. “Um sinal de alerta para os médicos do tráfego, especialmente na avaliação dos candidatos à primeira habilitação ou renovação da CNH”, afirmou Hegele.

Sobre as diretrizes para o condutor autista, Ricardo Hegele chamou a atenção para o risco maior de epilepsia nesses pacientes, que segundo ele, chega a ser até 40% maior que em pacientes que não sofrem do espectro. “Daí a necessidade da conjunção da avaliação do perito com os relatórios do psiquiatra e neurologista que acompanham o paciente”, observou.

NOVAS DIRETRIZES – Para o diretor da Comissão de Habilitação da Pessoa com Deficiência da Abramet, Dirceu Diniz, as diretrizes da área recomendam a avaliação da deficiência física e motora que cause impedimento a longo prazo e que demandam equipamentos ou veículos específicos. Ele também enfatizou “o cuidado do médico perito ao observar a intencionalidade do condutor para se beneficiar da isenção do IPI para aquisição de veículos automotores”.

O médico Áquila dos Anjos Couto, que também integra o Departamento Científico da Abramet, apresentou as orientações sobre as condutoras grávidas e puerpérias, cuja finalidade é preservar a vida tanto da gestante quanto do feto. O uso do cinto de segurança foi reforçado como “indispensável para a segurança das condutoras, uma vez que está sendo abolido da orientação de mais de 50% dos médicos durante o pré-natal”, advertiu Couto.